O Governo da Zâmbia rejeitou um pacote de financiamento superior a mil milhões de dólares proposto pela Administração do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, alegando que as condições do acordo “não estão alinhadas com a posição e os interesses nacionais do país”. A informação foi confirmada, na quarta-feira, 25 de Fevereiro, por um porta-voz do Ministério da Saúde da Zâmbia.
Com esta decisão, a Zâmbia torna-se o mais recente país africano, depois do Zimbabué, a recusar a controversa iniciativa norte-americana no sector da saúde.
“O Governo da Zâmbia rejeitou um pacote de financiamento dos EUA superior a mil milhões de dólares, considerando que as condições impostas por Washington não correspondem aos seus interesses nacionais. Desta forma, o país junta-se ao Zimbabué na rejeição da iniciativa”, explicou o porta-voz.
O pacote destinava-se ao combate a diversas doenças em países africanos. No entanto, críticos alertam que o financiamento estaria condicionado à concessão de maior acesso dos EUA a recursos minerais estratégicos e a dados sensíveis de saúde dos cidadãos dos países beneficiários.
Segundo a agência Reuters, a proposta previa que os Estados Unidos disponibilizassem mais de mil milhões de dólares, enquanto a Zâmbia contribuiria com cerca de 340 milhões de dólares ao longo de cinco anos. A assinatura do acordo estava inicialmente prevista para Novembro do ano passado, mas foi adiada devido à inclusão de cláusulas consideradas problemáticas.
“Agora, a Zâmbia retirou-se completamente do processo até que a proposta seja revista”, disse o porta-voz, esclarecendo que a decisão não estaria directamente relacionada com questões ligadas à exploração de recursos minerais.
Apesar disso, em Dezembro do ano passado, os EUA confirmaram o seu compromisso de fornecer subsídios substanciais à Zâmbia em troca de cooperação no sector mineiro. A Zâmbia é o segundo maior produtor de cobre em África, depois da República Democrática do Congo, e possui importantes reservas de cobalto, níquel, manganês, grafite, lítio e elementos de terras raras.
A Administração Trump, seguindo uma política externa baseada no princípio “América Primeiro”, afirmou repetidamente que o financiamento externo norte-americano não deveria ser encarado como caridade, mas como parte de uma estratégia de interesse nacional.
A decisão da Zâmbia surge após o Governo do Zimbabué ter igualmente rejeitado um acordo semelhante, avaliado em 367 milhões de dólares, alegando preocupações relacionadas com a cedência de acesso dos Estados Unidos a minerais críticos e a dados pessoais de saúde dos cidadãos zimbabuanos.
As autoridades norte-americanas afirmam que pelo menos 16 países africanos já assinaram acordos no âmbito desta iniciativa, incluindo Nigéria, Uganda e Quénia. No entanto, no caso do Quénia, a implementação do acordo foi suspensa na sequência de um processo judicial.
Enquanto alguns analistas elogiam os países africanos que recusaram o pacote, defendendo uma maior soberania económica, outros apelam aos Governos do continente para que reforcem o desenvolvimento interno com menor dependência de financiamento externo, considerando a vasta riqueza natural de África.
Fonte: Arise News

























































