A administração central de Cabo Verde encerrou o ano de 2025 com um excedente orçamental equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a síntese de execução orçamental consultada pela Lusa. Os dados provisórios revelam uma melhoria significativa face ao ano anterior.
De acordo com o documento do Ministério das Finanças de Cabo Verde, “o saldo global provisório, em Dezembro de 2025, foi positivo, correspondendo a um excedente de 1% do PIB, reflectindo uma melhoria de 2,1 pontos percentuais face ao mesmo período de 2024.”
O desempenho torna-se ainda mais expressivo quando se analisa o saldo primário, que exclui os encargos com juros da dívida pública. Este indicador permite avaliar a capacidade do Estado para financiar as suas despesas correntes com receitas próprias, sem considerar o peso do serviço da dívida.
Segundo os dados divulgados, o saldo corrente primário atingiu 211 milhões de euros, o que corresponde a um excedente de 7,7% do PIB. Em termos homólogos, representa um aumento de 4,2%, reforçando a trajectória de consolidação das contas públicas.
A melhoria do resultado orçamental deveu-se sobretudo a um aumento das receitas totais em 28,7%, verificando-se uma evolução positiva em vários agregados. Registou-se um crescimento nos impostos sobre o rendimento das pessoas singulares e das empresas, bem como no tributo especial unificado e nos impostos indirectos.
O país beneficiou igualmente de uma receita extraordinária resultante da concessão dos aeroportos à multinacional Vinci. As contas do Governo indicam ainda um contributo associado ao aumento da execução do investimento público.
Apesar da evolução favorável das receitas, o documento assinala um decréscimo nos donativos e na ajuda orçamental concedida por Governos estrangeiros. Por outro lado, as despesas totais cresceram 11,1%, com aumentos em quase todas as rubricas, à excepção dos juros correntes.
Os dados divulgados são provisórios e dizem respeito à execução orçamental acumulada até Dezembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. A síntese refere-se exclusivamente à administração central, excluindo os municípios e o sector público empresarial, onde, segundo o documento, “persistem desafios estruturais importantes”, sobretudo ao nível da rentabilidade e da gestão do risco.

























































