O mais recente orçamento da África do Sul traçou um quadro encorajador de melhoria das finanças públicas, segundo a agência Moody’s Ratings, embora tenha alertado que uma redução “significativa” da dívida exigirá um crescimento económico mais forte.
O orçamento “confirma o forte desempenho fiscal da África do Sul, sustentado por um crescimento amplo das receitas, e aponta para uma melhoria das perspectivas fiscais”, afirmou Evan Wohlmann, vice-presidente e analista sénior de crédito da Moody’s.
A apresentação anual do orçamento pelo ministro das Finanças, Enoch Godongwana, na quarta-feira (25) mostrou que a dívida e os custos do seu serviço deverão atingir o pico este ano e, em seguida, diminuir, ajudados pela forte subida dos preços dos metais preciosos, que impulsionaram as receitas do Governo. O rand e os títulos da dívida pública valorizaram.
No seu discurso perante os deputados, na Cidade do Cabo, o ministro disse que o mundo tomou nota destes progressos, citando a decisão da S&P Global Ratings, em Novembro, de conceder à África do Sul a sua primeira melhoria de notação em duas décadas.
Esta decisão elevou a avaliação da S&P para BB, face a BB-, e colocou igualmente a perspectiva em positiva, o que, segundo responsáveis sul-africanos, equivale praticamente a duas melhorias de notação.
O movimento aumentou a esperança de que o país esteja no bom caminho para recuperar a notação de investimento que perdeu quando as finanças públicas se deterioraram sob o antigo Presidente Jacob Zuma, cujo mandato foi marcado por escândalos de corrupção, má gestão e forte aumento da dívida. A Moody’s classifica a África do Sul em Ba2-, dois níveis abaixo do grau de investimento.
O director-geral do Tesouro Nacional, Duncan Pieterse, afirmou que a sua equipa está a dialogar activamente com as agências de notação para as incentivar a reconhecerem os progressos do país.
“Adoptámos uma abordagem muito mais proactiva, analisando os modelos de algumas das agências de rating, questionando certos pressupostos e defendendo a nossa credibilidade fiscal”, declarou aos jornalistas na Cidade do Cabo. “Com o tempo, esperamos que isso contribua para potenciais melhorias de notação”, sublinhou Pieterse.
A Moody’s baixou a classificação da África do Sul para nível especulativo em 2020, após decisões semelhantes da S&P e da Fitch alguns anos antes. Embora esteja optimista quanto às perspectivas após o orçamento, a agência destacou a necessidade de um crescimento económico mais forte.
“O espaço fiscal da África do Sul para absorver choques continuará limitado”, salientou Evan Wohlmann, acrescentando: “Esperamos que a dívida da administração pública geral permaneça acima de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos e que uma redução significativa da dívida dependa provavelmente de um crescimento superior ao nosso cenário de base.”
Outros analistas concordaram que as agências de notação vão querer ver resultados concretos antes de procederem a melhorias nas suas avaliações. “Esperamos que, se o crescimento do PIB melhorar no primeiro semestre de 2026, uma perspectiva positiva da Fitch e da Moody’s possa surgir até ao final do ano”, afirmou Gina Schoeman, economista da Citigroup para a África do Sul.
Fonte: Bloomberg


























































