Fevereiro aproxima-se do fim, mas o amor não precisa de data marcada no calendário. Depois dos jantares à luz das velas e das declarações trocadas no Dia dos Namorados, há histórias que continuam a merecer celebração — algumas delas nascem, curiosamente, na vinha.
“Amor-Não-Me-Deixes” poderia ser o título de um filme romântico, de um livro ou mesmo de uma canção. No entanto, é o nome de uma casta de uva tinta portuguesa, cuja designação não surge em obras publicadas antes de 1880, o que a torna relativamente recente no vasto património vitivinícola português.
De acordo com o site Vinha, Portugal é o país com maior diversidade de castas autóctones do mundo. São mais de 340 castas aptas para a produção de vinho, segundo o Anuário de Vinhos e Aguardentes de Portugal 2022, publicado pelo Instituto da Vinha e do Vinho. Segundo o mesmo Instituto, “estima-se que, em Portugal, existam quase três vezes mais variedades de castas do que em Itália e seis vezes mais do que em Espanha e França.”
Este património vitícola proporciona uma diversidade de aromas, sabores e estilos de vinho, tornando a degustação de vinhos portugueses uma experiência verdadeiramente enriquecedora. É neste contexto de riqueza e singularidade que surge a Amor-Não-Me-Deixes, uma casta que se destaca desde logo pelo nome invulgar e evocativo.
Descrição morfológica
A “Amor-Não-Me-Deixes” apresenta uma extremidade do ramo jovem com orla carmim de intensidade média e média densidade de pêlos prostrados. A folha jovem revela zonas acobreadas, com página inferior de nula a muito baixa densidade de pêlos prostrados.
A flor é hermafrodita. O pâmpano é ligeiramente estriado de vermelho, apresentando gomos com baixa intensidade de pigmentação antociânica.
A folha adulta é média, pentagonal, com três lóbulos mal definidos. O limbo é verde médio, plano a ligeiramente irregular e pouco bolhoso; as nervuras principais são verdes. A página inferior apresenta nula a muito baixa densidade de pêlos prostrados. Os dentes são curtos e rectilíneos; o seio peciolar é pouco aberto, com base em V, e os seios laterais são abertos, igualmente em V.
O cacho é médio, cónico e medianamente compacto, com pedúnculo de comprimento médio. O bago é arredondado, de tamanho médio e cor negro-azulada, a película tem espessura média e a polpa apresenta consistência média. O sarmento é castanho-escuro.
Características agronómicas e enológicas
A “Amor-Não-Me-Deixes” tem abrolhamento em época média e maturação tardia. Possui vigor muito baixo e porte retumbante, com fertilidade média (um cacho por lançamento).
Origina vinhos com baixo teor de açúcar, pouco típicos e de cor pouco intensa. Ainda assim, integra o vasto mosaico de castas portuguesas que testemunham a riqueza genética e cultural da viticultura nacional.
No final do mês dedicado ao amor, fica o convite para descobrir e brindar com esta casta de nome apaixonado.
Fonte: Vinha
























































