A retoma do projecto de gás natural liquefeito (GNL), avaliado em 20 mil milhões de dólares, no norte de Moçambique, está a levar a empresa italiana Saipem a rever contratos, encomendas e subcontratos, numa fase considerada determinante para a reactivação plena das operações, segundo avançou a Reuters.
O anúncio surge depois de a TotalEnergies e o Governo terem confirmado o reinício do megaprojecto, suspenso durante vários anos devido a constrangimentos de segurança na província de Cabo Delgado. A Saipem, um dos principais contratados internacionais envolvidos na iniciativa, encontra-se actualmente a trabalhar com a petrolífera francesa na reavaliação das condições contratuais, tendo em conta a escalada dos custos e o impacto financeiro do período de paralisação.
Em declarações após a apresentação de resultados, o director-executivo da empresa, Alessandro Puliti, explicou: “Actualmente, estamos a revisitar encomendas e subcontratos para reflectir a escalada e os custos de retoma, mas este processo não estará concluído até ao final do primeiro trimestre deste ano.” A actualização contratual deverá incorporar ajustamentos relacionados com inflação, logística, cadeia de fornecimento e reactivação de estaleiros.
A Saipem é uma multinacional italiana de engenharia e construção energética, com presença consolidada em projectos de petróleo e gás em África, no Médio Oriente e na América Latina. Especializada em soluções integradas de engenharia, aprovisionamento e construção (EPC), a empresa destaca-se na execução de infra-estruturas offshore, gasodutos submarinos e unidades de liquefacção de gás natural.
Nos últimos anos, a companhia tem reforçado a disciplina financeira e a diversificação para áreas ligadas à transição energética, mantendo, contudo, forte dependência de grandes projectos internacionais de hidrocarbonetos.
O projecto, considerado estratégico para a economia moçambicana, representa um investimento global estimado em 20 mil milhões de dólares e é visto como um dos maiores empreendimentos energéticos em África. A sua concretização poderá reforçar significativamente as exportações nacionais, aumentar a arrecadação fiscal e consolidar a posição de Moçambique como futuro produtor relevante de gás natural no mercado internacional.
Entretanto, a Saipem indicou que mantém perspectivas financeiras positivas para o presente exercício, antecipando uma subida dos resultados operacionais ajustados para cerca de 2,2 mil milhões de dólares, face aos 1,7 mil milhões de dólares registados no ano anterior. A empresa espera igualmente concluir, no segundo semestre, o processo de fusão com a norueguesa Subsea7, operação que poderá reforçar a sua capacidade técnica no segmento offshore.
A nível internacional, a construtora energética manifestou ainda disponibilidade para regressar à Venezuela, após o alívio parcial das sanções norte-americanas ao sector energético daquele país, embora sublinhe que aguarda pedidos formais de concursos por parte das companhias petrolíferas.
Para Moçambique, a reactivação do projecto de GNL surge num momento crucial, num contexto de necessidade de consolidação fiscal, reforço das reservas externas e estímulo ao investimento directo estrangeiro. A evolução dos custos, a estabilidade operacional e a previsibilidade contratual serão factores determinantes para assegurar que os benefícios macroeconómicos previstos se traduzam em impacto efectivo sobre o crescimento, o emprego e a sustentabilidade das finanças públicas.


























































