A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve, na noite desta terça-feira (24), a vereadora das Finanças do Conselho Municipal de Xai-Xai, Cláudia Eli, por suspeita de ligação ao desvio de produtos de ajuda humanitária destinados às vítimas das cheias. A edil encontra-se sob custódia na 2.ª esquadra da PRM.
A detenção surge 24 horas depois de terem sido igualmente detidas a administradora da província de Xai-Xai, Argelência Chissano, a directora do gabinete da governadora de Gaza, Dora Artur, e um fiel do armazém do governo distrital, no âmbito do mesmo processo.
O chefe do gabinete jurídico do Conselho Municipal de Xai-Xai, Simão Simbine, confirmou a detenção e explicou que teriam sido “encontrados na garagem da residência oficial do Conselho Municipal cerca de 75 ‘kits’ de produtos alimentares destinados às vítimas das cheias.”
Segundo Simão Simbine, os bens foram “depositados na residência protocolar do município de Xai-Xai, com conhecimento do governo distrital e doadores, após denotar-se a falta de condições de armazenamento no armazém de governo distrital.”
O responsável esclareceu que a colocação dos produtos naquele local ocorreu devido à ausência de condições adequadas no armazém distrital, procurando, assim, garantir a conservação dos donativos destinados às populações afectadas pelas cheias.
Com a detenção da vereadora das Finanças, sobe para cinco o número de pessoas detidas no âmbito do alegado desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza.
O caso surge num contexto de forte pressão sobre os mecanismos de gestão de ajuda humanitária, numa altura em que o País enfrenta uma das épocas chuvosas mais severas dos últimos anos, com impactos significativos na produção agrícola, na segurança alimentar e nas infra-estruturas públicas, factores que poderão agravar os desafios macroeconómicos e sociais já enfrentados pela economia nacional.
Danos causados pelas cheias no País
De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, as cheias registadas em Janeiro provocaram 27 mortos e afectaram 724 131 pessoas, sendo a província de Gaza a mais atingida. Desde o início da actual época chuvosa, em Outubro, o número total de óbitos ascende a 239, com cerca de 870 000 pessoas afectadas em todo o País.
O impacto económico e social das intempéries é igualmente expressivo: 555 040 hectares de áreas agrícolas foram afectados, dos quais 288 016 hectares considerados perdidos, atingindo 365 784 agricultores. Registou-se ainda a morte de 530 998 animais, entre bovinos, caprinos e aves, além de danos em 7845 quilómetros de estradas, 36 pontes e 123 aquedutos.
No mesmo período, foram activados 149 centros de acomodação, que acolheram 113 478 pessoas, mantendo-se actualmente 41 em funcionamento, com pelo menos 33 905 deslocados.
Fonte: Jornal O País

























































