O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a trabalhar num novo quadro de avaliação de riscos que ajudará a desbloquear mais capital para investimentos, informou a Bloomberg, nesta terça-feira, 24 de Fevereiro.
Denominada Nova Arquitectura Financeira Africana, a plataforma pretende transformar os sistemas financeiros fragmentados do continente num sistema coordenado, que fortaleça a soberania financeira e amplie os investimentos em infra-estruturas.
Como parte do plano, será promovida a transição do financiamento ao desenvolvimento, passando de um modelo baseado em projectos para um modelo baseado em carteiras, com o objectivo de atrair os quase 4 biliões de dólares em capital detidos por fundos de pensões, seguradoras, fundos soberanos e bancos da região, além de captar financiamento externo.
“Nós somos os que exportam capital para a Europa e para os Estados Unidos da América (EUA). Como tal, já que temos o capital, vamos agora criar um ambiente favorável, protegendo os recursos das instituições”, afirmou Kennedy Mbekeani, director-geral do BAD para a África Austral, durante uma conferência realizada nesta segunda-feira (23).
A plataforma também fornecerá um espaço comum para instituições de financiamento ao desenvolvimento, bancos comerciais e investidores institucionais alinharem projectos com capital, assegurando que os riscos sejam claramente identificados e geridos, reduzindo assim o prémio que os países africanos precisam de pagar pela dívida.
Os principais banqueiros do continente afirmam que as classificações de risco da maioria dos países africanos são muito inferiores às de soberanos semelhantes noutras partes do mundo, o que lhes custa milhares de milhões de dólares em pagamentos adicionais do serviço da dívida e prejudica o crescimento económico essencial.
“Estamos a tentar criar uma plataforma onde possamos reunir todos estes ecossistemas segmentados num só”, disse Mbekeani.
O BAD estima que o continente enfrenta um défice anual de financiamento de até 170 mil milhões de dólares, necessários para financiar projectos nos sectores da energia, transportes, água, digital e logística.
Os investidores têm demonstrado maior interesse pela região depois de os países terem implementado uma série de reformas regulatórias favoráveis ao investimento, e as instituições de financiamento ao desenvolvimento oferecerem apoio na preparação de projectos.
O novo quadro incluirá igualmente todas as instituições de garantia, com o objectivo de simplificar os processos e diminuir custos. Para reduzir ainda mais os riscos dos projectos, o BAD oferecerá também garantias de primeira perda, nas quais absorverá a parte inicial e de maior risco em caso de incumprimento.
“Com uma plataforma que tenha governação transparente sob a liderança do Banco Africano de Desenvolvimento, em parceria com todas as instituições financeiras, acredito que podemos criar um ambiente operacional atractivo para mobilizar o capital africano”, concluiu Mbekeani.

























































