O embaixador da Noruega em Moçambique, Edil Thorsås, defendeu esta quarta-feira (18) que o Estado de bem-estar social não constitui apenas uma consequência da riqueza, mas um dos seus principais motores, sustentando que políticas públicas inclusivas podem impulsionar o crescimento económico e reforçar a coesão social.
Intervindo na Conferência Nórdico-Moçambicana, realizada em Maputo, o diplomata questionou a ideia segundo a qual os Países Nórdicos se tornaram Estados sociais apenas depois de alcançarem elevados níveis de rendimento. “Os Países Nórdicos são Estados de bem-estar social porque são ricos ou são ricos porque construíram Estados de bem-estar social?”, indagou, respondendo que as duas dimensões caminharam lado a lado ao longo da história.
O representante norueguês reconheceu que Dinamarca, Suécia, Finlândia, Islândia e Noruega dispõem actualmente de elevado rendimento per capita, com economias assentes em sectores como agricultura moderna, indústria avançada, tecnologia, pesca, petróleo e gás. Contudo, sublinhou que os programas sociais estruturantes foram iniciados há mais de 100 anos, quando estes países ainda enfrentavam pobreza e limitações económicas significativas.
“Não criámos os nossos Estados de bem-estar social depois de ficarmos ricos. Começámos estes programas quando ainda éramos países pobres”, afirmou, acrescentando que o investimento na educação universal, na saúde pública e na protecção social contribuiu para elevar a produtividade e fortalecer o capital humano.
Segundo explicou, permitir que todas as crianças frequentem o ensino básico e secundário, garantir acesso ao ensino superior e assegurar cuidados de saúde acessíveis não deve ser visto como despesa, mas como investimento estratégico. “É caro, sim, mas é um investimento muito sábio, porque devolve mais do que custa em crescimento económico e em bem-estar para os cidadãos”, declarou.

O diplomata destacou ainda que subsídios de desemprego e mecanismos de protecção social evitam rupturas profundas quando ocorrem crises individuais, permitindo que as pessoas regressem mais rapidamente à actividade produtiva.
Para além da dimensão social, o embaixador atribuiu o sucesso do modelo nórdico à existência de instituições sólidas, Parlamentos fortes, eleições livres e credíveis, separação efectiva de poderes e um sistema judicial independente. Acrescentou que a liberdade de expressão, uma imprensa livre e uma sociedade civil activa são componentes indispensáveis de um sistema funcional.
“Um Estado de bem-estar social constrói-se sobre a solidariedade. A solidariedade constrói-se sobre a confiança. E a confiança constrói-se sobre a transparência”, afirmou, sublinhando que a integridade do sector público e a ausência de corrupção são factores determinantes para a legitimidade do Estado.
Embora tenha frisado que cada país deve seguir o seu próprio percurso, o diplomata reiterou que a experiência nórdica demonstra que desenvolvimento económico e investimento social não são caminhos opostos, mas complementares. “Cada país deve encontrar o seu próprio caminho”, concluiu, deixando implícito que a consolidação de instituições credíveis e inclusivas pode criar bases duradouras para a prosperidade.
A Conferência Nórdico-Moçambicana afirmou-se como um espaço de elevado significado político, académico e diplomático, ao reunir membros do Governo, representantes das embaixadas dos Países Nórdicos, investigadores, magistrados, académicos e especialistas em governação, políticas públicas e desenvolvimento social.
Organizado em torno de dois painéis centrais dedicados à equidade, solidariedade, confiança e renovação do contrato social, o encontro promoveu um diálogo sobre os desafios da inclusão, sustentabilidade e coesão social em contextos distintos, mas interligados.
Texto: Felisberto Ruco



























































