A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima mobilizar 23,5 milhões de euros para prestar assistência urgente a 620 mil pessoas afectadas pelas cheias que devastaram vastas áreas agrícolas no País, sobretudo nas regiões Sul e Centro do País, tal como informou a Lusa.
De acordo com um relatório divulgado esta segunda-feira (16), semanas de chuvas intensas e inundações generalizadas, registadas essencialmente durante o mês de Janeiro, afectaram gravemente vidas, meios de subsistência e infra-estruturas essenciais, agravando a vulnerabilidade das comunidades dependentes da agricultura.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) estima que mais de 852 mil pessoas tenham sido afectadas desde o início da presente época chuvosa, em Outubro, número que poderá atingir 1,1 milhão de pessoas à medida que a situação evolui. Só as cheias de Janeiro impactaram quase 725 mil pessoas, provocando pelo menos 27 mortos. No total da época chuvosa, que decorre até Abril, o número de óbitos confirmados ascende a 215.
As províncias de Gaza, Maputo e Sofala figuram entre as mais atingidas, sendo que Gaza concentra cerca de 75% do total da população afectada. O impacto no sector agrário é descrito como catastrófico: aproximadamente 288 mil hectares de culturas foram destruídos, 531 mil cabeças de gado perderam-se e 249 embarcações de pesca artesanal, bem como 572 tanques de piscicultura, foram arrastados pelas águas. Estima-se que mais de 365 mil agricultores tenham sido directamente afectados.
“As províncias de Gaza, Maputo e Sofala figuram entre as mais atingidas, sendo que Gaza concentra cerca de 75% do total da população afectada.”
INGD
A FAO alerta que, para as famílias atingidas, as perdas não se limitam a uma única colheita, mas traduzem-se na destruição integral dos seus meios de produção. A organização adverte ainda que, sem uma intervenção imediata, o País poderá enfrentar uma crise secundária marcada por insegurança alimentar aguda prolongada e crescente dependência de assistência humanitária.
As inundações coincidiram com a principal época agrícola, que decorre entre Novembro e Abril, período em que a maioria das culturas de sequeiro já se encontrava plantada e em fases críticas de crescimento. Com o início das colheitas previsto entre Março e Abril, a destruição das culturas ameaça comprometer a disponibilidade imediata de alimentos e o rendimento sazonal das famílias rurais.
Segundo a FAO, os 23,5 milhões de euros permitirão apoiar as famílias afectadas na recuperação da produção alimentar e na protecção dos seus meios de subsistência baseados em sistemas agro-alimentares.
A intervenção inclui o fornecimento de sementes e instrumentos agrícolas para replantação imediata, apoio à produção de hortícolas de ciclo curto, campanhas de saúde animal para prevenir doenças pós-inundação e medidas destinadas à recuperação da pesca artesanal, com reposição de equipamento e insumos essenciais.
A organização sublinha que o risco permanece elevado, tendo em conta que a estação chuvosa e ciclónica se prolonga até Abril, aumentando a probabilidade de novas inundações e de impactos adicionais sobre as comunidades já fragilizadas.























































