O Banco da Reserva da África do Sul (SARB) deverá cortar as taxas de juro mais três vezes antes de encerrar o actual ciclo de flexibilização monetária, aponta um inquérito citado pela Bloomberg, nesta sexta-feira, 13 de Fevereiro.
A maioria dos 14 economistas consultados pela Bloomberg, incluindo analistas da Morgan Stanley, UBS Group AG e BNP Paribas SA, considera que existe margem para o banco central reduzir os custos de financiamento em mais três cortes de 25 pontos-base cada, até aos 6%. Isso marcaria o fim do ciclo de descida das taxas iniciado em Setembro de 2024, que até agora já acumulou uma redução total de 1,5 ponto percentual, segundo as suas previsões.
O BNP prevê que estes cortes sejam concluídos até Setembro, enquanto a UBS e a Morgan Stanley apontam para o primeiro trimestre de 2027. O próprio modelo do banco central indica espaço para mais 75 pontos-base de redução até 2027.
“Se todos os factores desinflacionistas se mantiverem intactos, incluindo a valorização do rand, poderá haver margem para realizar estes 75 pontos-base de cortes ainda mais rapidamente”, afirmou Elna Moolman, directora de Investigação Macroeconómica para a África do Sul no Standard Bank Group.
Novas reduções das taxas ajudariam a apoiar uma economia que tem estagnado há mais de uma década, podendo impulsionar o consumo das famílias, que representa cerca de dois terços do Produto Interno Bruto.
O comité de política monetária do banco central manteve a taxa directora em 6,75% a 29 de Janeiro, citando a incerteza global e os riscos associados à subida dos preços dos alimentos e da electricidade, apesar de ter reduzido a sua previsão de inflação para 3,3%, mais próxima da nova meta de 3%.
Entre os factores que sustentam uma inflação mais baixa estão a valorização do rand em mais de 3% este ano, num contexto de enfraquecimento do dólar e de subida dos preços do ouro e da platina — exportações-chave do país —, bem como os preços do petróleo, que têm rondado uma média de 66 dólares por barril, perto da projecção do banco central para 2026.
“Mantemos a convicção de que a maioria dos membros do comité prefere uma abordagem mais cautelosa na recalibração da política monetária, tendo em conta a nova meta de inflação de 3%”, escreveram Jeffrey Schultz e Lior Kohanan, do BNP, numa nota publicada no mês passado. “Continuamos a prever cortes trimestrais de 25 pontos-base em 2026 e uma taxa terminal de 6% alcançada até ao final do terceiro trimestre.”
A Goldman Sachs Group e o Nedbank Group figuram entre as previsões mais fora da média, apontando para sete e quatro cortes de 25 pontos-base, respectivamente.
A visão mais acomodatícia da Goldman baseia-se nas suas projecções de inflação mais baixa. “Mantemos a nossa previsão de cortes alternados nas reuniões do comité até atingir uma taxa terminal de 5% no início de 2028”, afirmou Andrew Matheny, economista do banco de investimento, numa nota.


























































