O número de pessoas afectadas pelas inundações em Moçambique desde o início da presente época chuvosa ultrapassa agora as 724 000, com registo de 23 mortos e 170 000 famílias deslocadas, segundo dados actualizados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Face à perda quase total das culturas agrícolas, as comunidades afectadas estão a solicitar sementes para relançar a produção assim que as águas recuarem.
De acordo com o jornal O País, a presidente do INGD, Luísa Meque, que falava esta sexta-feira durante uma visita à província de Gaza, confirmou a tendência crescente de impacto humanitário nas regiões Centro e Sul do País. “Estamos, neste momento, com 724 mil pessoas afectadas. Ontem estávamos com 723 500. Em termos de famílias, atingimos as 170 mil”, afirmou.
Durante a deslocação ao distrito de Chigubo, onde decorrem acções de reassentamento em zonas altas e consideradas seguras, a dirigente constatou o envolvimento directo das populações na preparação dos novos espaços habitacionais. “As próprias populações estão a fazer a limpeza das áreas já identificadas para o reassentamento. Algumas famílias já se começaram a posicionar nesses locais, manifestando a vontade de sair definitivamente das zonas afectadas”, explicou.
Um dos pedidos mais repetidos pelas comunidades, segundo Meque, é a distribuição urgente de sementes, aproveitando a humidade ainda existente no solo. “Foi encorajador ouvir essa preocupação. Estamos a trabalhar para garantir que as sementes cheguem ao distrito de Chigubo e a outras zonas com potencial de retoma produtiva”, acrescentou.
Em paralelo, o número de centros de acomodação temporária foi reduzido de forma faseada. Dos 119 centros inicialmente abertos, 75 continuam activos, acolhendo cerca de 76 000 pessoas. Esta redução deve-se ao abaixamento progressivo do nível das águas em algumas zonas urbanas e rurais.
A presidente do INGD aproveitou para apelar à continuidade do apoio por parte dos parceiros institucionais e da sociedade civil. “Precisamos de reforçar as doações de bens diversos para aliviar o sofrimento das populações. A solidariedade é essencial nesta fase crítica”, sublinhou.

























































