O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alertou ontem para a possibilidade de um sistema ciclónico (21S) em desenvolvimento no oceano Índico atingir o Canal de Moçambique no próximo dia 12 de Fevereiro, embora sem representar, por ora, qualquer ameaça para a parte continental do País, segundo informou a Lusa.
De acordo com a nota oficial, a perturbação tropical evoluiu para depressão tropical, com ventos médios de 55 quilómetros por hora e rajadas de até 75 quilómetros por hora, deslocando-se em direcção a sudoeste a uma velocidade de 15 quilómetros por hora.

O ciclone tropical 21S (TWENTYONE) foi localizado a 8 de Fevereiro, próximo das coordenadas 18.0S 56.9E, cerca de 128 milhas náuticas a norte de Port Louis, Maurícia. O sistema desloca-se lentamente para noroeste a cerca de 3 nós e apresenta ventos sustentados de 35 nós (aprox. 65 km/h), com rajadas até 45 nós, e uma pressão central mínima de 1004 mb. As ondas significativas atingem cerca de 12 pés, indicando um sistema ainda moderado, mas em organização.
As previsões apontam para um fortalecimento gradual nas próximas 48 horas, podendo atingir 70 nós (aprox. 130 km/h) antes de enfraquecer temporariamente. O trajecto deverá manter-se predominantemente para oeste, com aceleração progressiva ao longo dos próximos dias. No horizonte de cinco dias, o sistema poderá voltar a intensificar-se, com ventos estimados em 55 nós, sugerindo a necessidade de acompanhamento atento, sobretudo nas rotas marítimas do sudoeste do Oceano Índico.
“As projecções indicam que este sistema poderá evoluir até ao estágio de ciclone tropical nos próximos dias, com potencial de atingir o Canal de Moçambique no dia 12 de Fevereiro”, refere o comunicado do INAM, sublinhando, contudo, que o fenómeno ainda não constitui perigo para o território continental nacional.
Este alerta surge num contexto em que o País permanece sob forte pressão climática, a meio da actual época chuvosa e ciclónica. Moçambique enfrenta ainda as graves consequências das inundações registadas desde Janeiro, que já provocaram 25 mortos, afectaram mais de 724 000 pessoas – o equivalente a 170 392 famílias – e resultaram em 147 feridos e nove desaparecidos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Desde o início da época das chuvas, em Outubro, o número total de vítimas mortais subiu para 191, com 291 feridos e 845 144 pessoas afectadas. As autoridades decretaram o alerta vermelho nacional a 16 de Janeiro.
As cheias provocaram ainda a destruição de 885 habitações, com 3 587 casas parcialmente danificadas e 166 081 inundadas, além de danos em 229 unidades sanitárias, 323 escolas, 14 pontes e cerca de 3 783 quilómetros de estrada.
O impacto no sector agrícola também é severo, com 440 906 hectares de área cultivada afectada, dos quais 275 405 hectares considerados perdidos, afectando directamente 314 783 agricultores. O registo de 412 446 cabeças de gado mortas agrava o quadro rural.
Em resposta à crise humanitária, a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão, China, França, Alemanha e vários países vizinhos já anunciaram e enviaram apoio de emergência para Moçambique.

























































