A Ordem dos Engenheiros de Moçambique (OrdEM) prepara-se para eleger, no próximo dia 19 de Fevereiro, os seus novos órgãos sociais para o quinquénio 2026-2030, numa corrida marcada pela confrontação de visões distintas entre os dois principais candidatos ao cargo de bastonário: Osvaldo Camacho (lista “B”) e Alberto Tsamba (lista “A”).
De acordo com o jornal notícias, num momento em que a OrdEM atravessa críticas internas relacionadas com a sua actuação pública e ligação aos membros, ambos os concorrentes apresentam propostas de reestruturação institucional, ainda que com prioridades e abordagens divergentes.
Osvaldo Camacho, engenheiro e antigo dirigente em várias estruturas técnicas nacionais, propõe uma “revolução” na ordem, com foco na recuperação da sua autoridade técnica e no reforço do papel interventivo da agremiação. No seu manifesto, apresentado recentemente aos membros, Camacho denuncia a perda de relevância institucional e o afastamento da OrdEM em relação à classe que representa. “Muitos engenheiros já não se sentem incluídos, protegidos ou respeitados. A ordem perdeu a sua voz técnica nos assuntos nacionais”, afirmou.
Entre as suas principais promessas está a criação de um gabinete permanente de defesa do engenheiro, a reposição de regulamentos claros e a emissão sistemática de pareceres técnicos sobre obras públicas. Propõe ainda a implementação de processos eleitorais auditáveis e incontestáveis, bem como um programa nacional de integração e formação contínua para jovens profissionais.
Por seu turno, Alberto Tsamba, com experiência acumulada nos órgãos da própria Ordem, defende uma abordagem orientada para a modernização institucional. O seu programa dá destaque à conclusão da digitalização dos serviços da OrdEM, à revisão dos estatutos para garantir maior eficiência nos processos internos, e à criação de parcerias com instituições de ensino para formação em ética e deontologia profissional com padrões internacionais.
Tsamba compromete-se também a posicionar a engenharia moçambicana na vanguarda do desenvolvimento nacional, defendendo que a Ordem deve desempenhar um papel activo nas grandes transformações estruturais do país. “É imperativo alinhar a engenharia nacional com as exigências da competitividade global, começando pela modernização da sua estrutura representativa”, sustentou.
Esta será a quinta eleição da Ordem desde a sua fundação. Actualmente, a instituição conta com cerca de 10 000 membros, dos quais apenas cerca de 30% estão em situação regular para exercer o direito de voto. Neste contexto, um dos desafios mais apontados é o da mobilização e inclusão efectiva da maioria dos profissionais registados.
Este ano, pela primeira vez, a OrdEM deverá introduzir o voto electrónico, permitindo a participação remota e mais acessível dos seus membros em todo o território nacional, facto que poderá influenciar significativamente o índice de adesão ao sufrágio.
Num cenário de crescente exigência por parte dos engenheiros e da sociedade em geral, as eleições de Fevereiro poderão marcar uma viragem decisiva no rumo institucional da OrdEM, cuja acção é considerada estratégica para o rigor técnico e a segurança das infra-estruturas públicas em Moçambique.

























































