O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu esta sexta-feira (6) um alerta para a formação de um sistema de baixa pressão no oceano Índico, com características de perturbação tropical, advertindo que o fenómeno poderá evoluir para ciclone tropical nos próximos dias. Apesar de o sistema ainda não representar perigo imediato para o canal de Moçambique ou para o território continental, as autoridades garantem que está a ser devidamente monitorizado.
De acordo com o boletim divulgado, o sistema em causa registava ventos com rajadas até 75 quilómetros por hora, deslocando-se na direcção sudoeste a uma velocidade média de 15 quilómetros por hora. A sua trajectória e intensidade estão sob constante vigilância por parte do INAM, que manterá actualizações regulares à medida que a situação evolua.

imagem de hoje, que mostra a formação de potencial ciclone no Índico
Este novo desenvolvimento meteorológico surge num contexto particularmente sensível para o País, que se encontra a meio da época chuvosa e ciclónica. Só entre Dezembro e Março da última época, Moçambique foi atingido por três ciclones, sendo o mais severo o ciclone Chido, que causou perto de 200 mortos no final de 2024.
Simultaneamente, as autoridades continuam a lidar com os impactos das cheias de Janeiro. Segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), actualizados até às 14h30 de quinta-feira, o número de mortos devido às inundações subiu para 25, afectando um total de 724 385 pessoas, correspondentes a 170 392 famílias.
Desde o início da presente época chuvosa, em Outubro, foram registados 191 óbitos, 291 feridos e um total de 845 144 pessoas afectadas pelas intempéries. Entre os danos contabilizados encontram-se 3 587 habitações parcialmente destruídas, 885 totalmente destruídas e 166 081 inundadas. Há ainda registo de 147 feridos e nove desaparecidos desde 7 de Janeiro.
O Governo decretou o alerta vermelho nacional a 16 de Janeiro, perante a gravidade dos impactos. Estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 78 407 pessoas desalojadas. A infra-estrutura pública também não ficou incólume: 229 unidades sanitárias, 323 escolas, 14 pontes e 3783 quilómetros de estrada foram afectados.
Na agricultura, os prejuízos também são expressivos. Estão contabilizados 440 906 hectares de área agrícola afectada, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, impactando directamente a actividade de 314 783 agricultores. Além disso, registou-se a morte de 412 446 cabeças de gado, incluindo bovinos, caprinos e aves.
Face à gravidade da situação, vários países e organizações internacionais já mobilizaram ajuda humanitária de emergência, entre os quais a União Europeia, os Estados Unidos da América, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão, China e Alemanha, bem como países vizinhos da região.

























































