O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou que necessita de 34 milhões de dólares para responder à crise humanitária provocada pelas cheias que afectam várias províncias de Moçambique desde o início do ano, tal como informou a Lusa.
O montante visa assegurar assistência às populações deslocadas ao longo dos próximos seis meses, abrangendo as províncias de Gaza, Maputo e parte de Sofala, segundo revelou Cláudio Julaia, especialista de emergência da organização no País.
“Fizemos um plano de seis meses de resposta para a situação em Gaza, Maputo e algumas zonas da província de Sofala, com uma estimativa de cerca de 34 milhões de dólares. Precisamos de financiamento para poder alcançar mais pessoas em termos de beneficiários”, afirmou o responsável.
Dados oficiais indicam que mais de 75 000 pessoas encontram-se actualmente acolhidas em 76 centros de acomodação, num universo de 844 932 moçambicanos afectados pelas cheias desde Outubro, incluindo o agravamento registado em Janeiro.
Entre as prioridades da intervenção da UNICEF está o fornecimento de água potável e a melhoria das condições de saneamento nos centros de acolhimento, onde foi identificado um número insuficiente de latrinas para a população deslocada. A organização mobiliza também cerca de 100 toneladas de material diverso, com enfoque nas províncias de Gaza e Maputo.
A assistência médica e medicamentosa constitui igualmente uma das frentes de actuação, com a UNICEF a reforçar o apoio ao sector da saúde nacional através da disponibilização de medicamentos, equipamentos e outros materiais essenciais. “É uma população já vulnerável, e importa garantir que o serviço de saúde esteja acessível”, salientou Julaia.
No domínio da protecção infantil, a agência das Nações Unidas está a criar espaços e actividades para prevenir situações de risco nos centros de acolhimento. “Estamos a dar algum equipamento, como kits de escolas, do aluno e do professor, em preparação para a abertura do ano lectivo, embora tenha sido atrasada”, referiu o especialista, sublinhando que o atraso escolar representa um risco adicional para as crianças, especialmente em contextos de emergência.
A UNICEF espera alcançar pelo menos 30 000 crianças com apoio humanitário directo nas próximas semanas. A 21 de Janeiro, a organização já havia alertado que mais de metade das então 513 000 pessoas afectadas pelas inundações eram crianças, frisando a existência de uma “espiral perigosa” em resultado da interrupção da assistência humanitária.
Guy Taylor, responsável de Comunicação da UNICEF em Moçambique, referiu, na ocasião, que o acesso a serviços básicos como água potável, saúde, nutrição e educação tornou-se “incerto ou inseguro”, o que expõe as crianças a maiores riscos de doença, perturbação na aprendizagem e ameaças à sua protecção, particularmente raparigas e adolescentes.”
Segundo dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as inundações já afectaram 170 248 famílias. Desde 7 de Janeiro, registaram-se 145 feridos, nove desaparecidos, 3555 casas parcialmente destruídas, 832 completamente destruídas e 165 946 inundadas.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro, o País contabiliza 182 mortos, 289 feridos e mais de 844 mil pessoas afectadas pelas chuvas e cheias em diferentes regiões.

























































