A segunda fase do projecto +Emprego, lançada em Nampula, marca o início de um novo ciclo. Com um investimento reforçado de 8,5 M€, aposta fortemente na empregabilidade, inclusão e criação de oportunidades para a população jovem.
A segunda fase do projecto +Emprego, co-financiado pela União Europeia (UE) e pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Cooperação Portuguesa), lançada no final de Novembro, em Nampula, marca uma nova etapa que pretende reforçar a formação profissional, o empreendedorismo juvenil e a criação de emprego digno nas duas províncias mais jovens e dinâmicas do País.
Com um investimento total de 8,5 milhões de euros, este novo ciclo do projecto duplica o orçamento da fase anterior e expande o alcance das actividades, num contexto marcado pela pressão demográfica, desafios socioeconómicos e a necessidade de criar respostas concretas para milhões de jovens.
Para a UE, parceiro financeiro de referência, o +Emprego II está alinhado com as prioridades estratégicas mais amplas da iniciativa Global Gateway. A nova fase “privilegia a capacitação dos jovens para responder às exigências das transições verde e digital”, explica a representante da Delegação da UE em Moçambique, Ilaria Vanzin. O projecto complementa iniciativas em curso, como o programa “Capacitar para Empregar”, co-financiado pela UE e pelo Governo da Alemanha. Segundo acrescentou, o reforço da formação técnica, aliado à criação de incubadoras e ao apoio às PME, representa “um investimento directo no capital humano nacional e na estabilidade socioeconómica de Nampula e Cabo Delgado.”
Novidades desta nova fase
Entre as inovações introduzidas, destacam-se a criação de três novas incubadoras empresariais em Montepuez, Nacala e Nampula, ampliando a experiência iniciada em Pemba na fase anterior. Estão também previstos mecanismos de reconhecimento e prémios para PME que se destaquem na contratação de mulheres e pessoas portadoras de deficiência. A intenção, segundo os parceiros, passa por consolidar um “ecossistema de emprego”, unindo formação, orientação vocacional, estágios, empreendedorismo, apoio à contratação e ligações directas com empresas locais.
Pela primeira vez, o +Emprego II integrará também pessoas portadoras de deficiência como grupo-alvo directo, com actividades de formação de jovens e de formadores, adaptação de centros de formação, melhoria de acessibilidades e inclusão em oportunidades de autoemprego
“Nampula é, neste momento, a província moçambicana com o maior crescimento populacional” do País, destaca o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro. E este aumento da população pressiona os sectores do emprego, educação e saúde. Para o diplomata, o facto de a província ser actualmente “a principal beneficiária da cooperação portuguesa” sinaliza o alinhamento com as “prioridades de desenvolvimento definidas pelas autoridades moçambicanas.” E este alinhamento parte não só da cooperação, como também do tecido empresarial luso: “há entre 400 e 500 empresas portuguesas a operar em Moçambique, integradas em praticamente todos os sectores da economia, que contribuem de forma muito expressiva para a capacitação e formação de recursos humanos moçambicanos”. E acrescenta que a experiência acumulada na primeira fase “ilustra na perfeição que as parcerias são a tónica de sucesso” do +Emprego.
Parcerias, inclusão e formação
Para a coordenadora do projecto, Cristina Paulo, o +Emprego II surge “com base nas lições da implementação anterior, realizada entre 2020 e 2024 em Cabo Delgado.” Segundo explica à E&M, uma das conclusões mais claras é a necessidade de alinhamento total com as prioridades nacionais. “É necessário que estes projectos estejam efectivamente alinhados com aquilo que o País necessita e que o Governo considera importante”.
Uma das lições determinantes, assinala, resultou da convivência directa e diária com os milhares de jovens beneficiários. “Não podemos pensar que todos os jovens são iguais. Cada um tem a sua história, as suas ambições e os seus sonhos”. Por isso, assinala, a abordagem continuará a ser personalizada, abrangendo a orientação vocacional, a formação, os estágios, a orientação para o emprego por conta de outrem e um forte estímulo ao auto-emprego. Já a expansão para Nampula, nesta segunda fase, foi proposta pelos parceiros locais e justificada pela proximidade a Cabo Delgado, pelo potencial de mobilidade económica e pelo acolhimento de deslocados devido à insurgência.
O secretário de Estado de Ensino Técnico Profissional, Leo Jamal, referiu que Governo vê o +Emprego II como “uma oportunidade para garantir que os jovens adquiram competências relevantes para o mercado de trabalho nacional, regional e internacional”. A primeira fase teve “impacto directo e indirecto em muitos jovens em Cabo Delgado”, resultados que agora se querem ver replicados em Nampula.
Mais inclusão
O reforço da inclusão é uma das principais apostas desta nova fase. As bolsas para mulheres aumentam e a prioridade feminina será reforçada nos concursos de ideias de negócio. “Em Cabo Delgado foi particularmente difícil mobilizar mulheres devido ao contexto de insegurança, mas acreditamos que em Nampula teremos melhores condições”, afirma Cristina Paulo. Pela primeira vez, o projecto integrará também pessoas portadoras de deficiência como grupo-alvo directo, com actividades de formação de formadores, adaptação de centros de emprego, melhoria de acessibilidades e inclusão em estágios. O financiamento duplicado permite estabelecer metas ambiciosas: 1500 jovens, 300 técnicos e 200 PME serão abrangidos directamente. Mas a coordenadora acredita que, tal como na fase anterior, os resultados poderão superar as expectativas: “O dinamismo económico de Nampula vai permitir mobilizar mais empresas” antevê.
Estruturas sustentáveis
Além das actividades imediatas, os parceiros insistem na necessidade de criar estruturas duradouras. O Embaixador de Portugal assinala que o objectivo é ter “estruturas que possam continuar a desenvolver o mesmo tipo de acção com menor apoio directo dos parceiros. Para o diplomata, os 50 anos de cooperação entre Moçambique e Portugal representam “uma oportunidade de ouro” para relançar uma parceria de futuro, envolvendo a juventude como prioridade comum.
Com actividades simultâneas em Nampula e Cabo Delgado, o +Emprego II dá início a um ciclo mais robusto, mais inclusivo e mais abrangente.
Entre formações, especializações técnicas, mentoria para criação de negócios, estágios e uma ligação estruturada com o sector privado, o projecto pretende transformar oportunidades pontuais em trajectórias de emprego digno e sustentável. “É isso, o que pretendemos é aumentar o número de MPME que queiram associar-se a este esforço colectivo, que é o objectivo final, de criar oportunidades para os jovens”, concluiu Cristina Paulo.

Texto Nário Sixpene • Fotografia Mariano Silva

























































