O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou esta terça-feira (3) ao cumprimento rigoroso das instruções emitidas pelas autoridades competentes, com o objectivo de evitar novas perdas humanas e danos materiais em consequência das inundações que assolam o País. A mensagem foi transmitida durante as celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos, numa cerimónia realizada na Praça dos Heróis, em Maputo, segundo informou a Lusa.
“Apelamos a todos os cidadãos a cumprir rigorosamente as medidas recomendadas pelas autoridades competentes para evitar danos humanos e materiais causados por desastres naturais”, exortou o chefe de Estado, numa referência directa às chuvas intensas que têm afectado as regiões Sul e Centro de Moçambique.
Daniel Chapo lamentou que o País assinale esta data histórica num contexto adverso, em que milhares de famílias enfrentam os impactos devastadores das cheias. “O 3 de Fevereiro deste ano é celebrado num contexto bastante adverso, em que milhares de famílias moçambicanas ainda choram a morte dos seus entes queridos e a destruição de infra-estruturas público-privadas”, declarou o Presidente.
No mesmo discurso, enalteceu o esforço dos cidadãos e das equipas de resgate, sublinhando o “heroísmo” demonstrado nas operações de salvamento. “Temos registado actos de verdadeiro heroísmo que merecem ser exaltados nesta data dedicada aos heróis moçambicanos”, frisou, dirigindo palavras de reconhecimento aos envolvidos na resposta à emergência.
A solidariedade, tanto nacional como internacional, também mereceu destaque. Chapo agradeceu o apoio vindo de “países amigos e irmãos”, bem como de organizações multilaterais que têm prestado assistência humanitária às populações afectadas. Entre os doadores encontram-se a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e vários países vizinhos.
Segundo dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias que se intensificaram desde 7 de Janeiro já provocaram 23 mortos, 112 feridos e 9 desaparecidos, afectando mais de 723 mil pessoas. Foram igualmente registadas 3548 casas parcialmente destruídas, 817 totalmente destruídas e 165 946 inundadas. O número total de óbitos desde o início da época chuvosa, em Outubro, ascende a 153.
As inundações danificaram ainda 229 unidades sanitárias, 316 escolas, 5 pontes e 1992 quilómetros de estrada, além de atingirem 440 842 hectares de área agrícola, dos quais 275 405 hectares foram considerados perdidos, afectando mais de 314 mil agricultores. A mortalidade no sector pecuário é igualmente expressiva, com mais de 408 mil cabeças de gado perdidas, entre bovinos, caprinos e aves.
Neste momento, permanecem activos 77 centros de acomodação, albergando mais de 76 mil pessoas, de acordo com a actualização oficial do INGD, que continua a monitorar a evolução da situação em coordenação com os parceiros humanitários.

























































