A TotalEnergies oficializou, esta quinta-feira (29), a retoma do projecto Mozambique LNG, na península de Afungi, província de Cabo Delgado, paralisado há quatro anos e meio devido à insurgência armada no norte do País. Avaliado em 20 mil milhões de doláres, este é o maior investimento privado actualmente em curso em África, e marca uma nova fase na exploração do gás natural moçambicano.
Presente na cerimónia simbólica, o Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que o reinício das obras “simboliza a resiliência, a coragem e a determinação do povo moçambicano perante as adversidades”. Acrescentou que “mais do que uma retoma física, trata-se de uma afirmação nacional de esperança e de progresso”.
“Hoje é dia de festa para Moçambique, para África e para o mundo”, declarou o chefe de Estado, destacando a “retoma efectiva, total e completa” do projecto e assinalando que as primeiras exportações estão previstas para o primeiro semestre de 2029.
Durante a visita às obras, Chapo elogiou o reassentamento das populações afectadas como um exemplo de boa prática e defendeu que o momento representa “o início de uma nova fase para Cabo Delgado e para Moçambique”.
O Mozambique LNG deverá garantir 35 mil milhões de doláres em receitas para o Estado moçambicano ao longo de 25 anos, além da criação de 17 mil postos de trabalho na fase de construção, dos quais mais de quatro mil já se encontram ocupados, com 80% desses trabalhadores sendo moçambicanos.
Do lado da TotalEnergies, o presidente executivo, Patrick Pouyanné, afirmou que “a ‘força maior’ acabou”, referindo-se à cláusula contratual invocada em Abril de 2021 na sequência dos ataques terroristas na vila de Palma. “Este é o maior investimento da TotalEnergies em África”, declarou. “Como diz o Presidente, vamos trabalhar. Mas é imperativo pensar primeiro na segurança.”
Segundo Pouyanné, o complexo industrial de Afungi está actualmente sujeito a medidas de segurança reforçadas, incluindo um controlo de acessos restrito por via aérea e marítima. Está igualmente prevista a criação de uma nova cidade de apoio logístico no local.

O Governo moçambicano determinou uma auditoria independente aos custos acumulados durante o período de paralisação, os quais foram estimados pela TotalEnergies em 4,5 mil milhões de doláres.
Ficou também decidido que os quatro anos e meio de “força maior” não contarão para o tempo da concessão, apesar do pedido da empresa para estender o contrato por mais de dez anos, como compensação pelas perdas.
Inicialmente previsto para Julho de 2024, o arranque das exportações foi reagendado para 2029, com uma capacidade de produção anual de 13 milhões de toneladas de GNL.
Além do Mozambique LNG, Moçambique conta com outros dois megaprojectos de exploração de gás natural na bacia do Rovuma. Um deles é liderado pela ExxonMobil, com capacidade prevista de 18 milhões de toneladas por ano, e investimento estimado em 30 mil milhões de doláres, ainda pendente de decisão final.
O outro, operado pela italiana Eni, entrou em produção em 2022 com a plataforma flutuante Coral Sul, que produz actualmente sete milhões de toneladas anuais. Está prevista a duplicação da capacidade a partir de 2028, com a instalação da plataforma Coral Norte, num investimento avaliado em 7,2 mil milhões de doláres.
“Enquanto decorre o processo de apuramento de custos, o projecto não para”, declarou o Presidente Chapo, aludindo ao entendimento firmado com a TotalEnergies para a retoma dos trabalhos ainda antes da conclusão das avaliações financeiras.


























































