O director-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, afirmou esta quinta-feira, 29 de Janeiro, em Afungi, província de Cabo Delgado, que o projecto Mozambique LNG vai registar uma aceleração significativa das actividades nos próximos meses, marcando oficialmente a retoma da construção do empreendimento avaliado em 20 mil milhões de dólares, suspenso desde 2021 devido à insegurança no norte do País, informou a agência Reuters.
Falando durante a cerimónia de relançamento do projecto, Pouyanné explicou que o consórcio já iniciou a mobilização de meios técnicos para a fase “offshore”, com o primeiro navio a operar na instalação das infra-estruturas marítimas. Segundo o responsável, o objectivo central é garantir a entrega do gás natural liquefeito até 2029, respeitando o orçamento inicialmente definido.
“Vamos assistir a uma aceleração massiva das actividades nos próximos meses. Já mobilizámos o primeiro navio ‘offshore’ para iniciar a instalação das infra-estruturas”, declarou o director-executivo da TotalEnergies, sublinhando que a fase agora iniciada será determinante para o calendário do projecto.
Na ocasião, a multinacional francesa anunciou igualmente um apoio financeiro de 200 milhões de meticais, equivalente a cerca de 3,2 milhões de dólares, para apoiar o Governo na resposta aos impactos das cheias que afectaram várias regiões do País nas últimas semanas.
O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou que a retoma do projecto representa um sinal claro de confiança no País e assegurou que as negociações em curso entre o Governo e o consórcio não colocam em causa o avanço das obras. “O reinício é uma realidade e as negociações não impedem o progresso do projecto”, afirmou.
O chefe de Estado adiantou ainda que, num horizonte de 12 a 18 meses, deverá ter início a construção do projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, que partilha infra-estruturas com o Mozambique LNG.
Custos adicionais e segurança em Cabo Delgado
Apesar do relançamento, continuam em curso negociações relativas aos custos adicionais resultantes do período de suspensão. Em Outubro, a TotalEnergies estimou um aumento de 4,5 mil milhões de dólares nos custos do projecto, defendendo uma extensão do período de desenvolvimento e produção como forma de compensação.
Daniel Chapo indicou que as partes irão negociar os valores revistos após a conclusão de uma auditoria, reiterando que o processo decorre nos termos contratuais e legais.

Patrick Pouyanné afirmou, por seu turno, que a empresa já beneficiou de uma extensão automática da licença para acomodar o atraso de quase cinco anos provocado pela paralisação das obras, acrescentando que “estas questões serão resolvidas de acordo com os contratos e o Estado de direito”.
As autoridade nacionais reconhecem melhorias significativas nas condições de segurança em Cabo Delgado, particularmente na área de Afungi, onde se encontra o projecto, após o destacamento de forças do Ruanda, embora a ameaça extremista ainda persista noutras zonas da província.
Impacto económico e emprego
Com capacidade para produzir cerca de 13 milhões de toneladas métricas de gás natural liquefeito por ano, o Mozambique LNG é considerado um projecto estruturante para a economia nacional. Segundo o Presidente da República, o empreendimento poderá gerar até 35 mil milhões de dólares para os cofres do Estado ao longo da sua vida útil, através de impostos, lucros petrolíferos e outras contribuições.
Patrick Pouyanné revelou que cerca de 4500 trabalhadores já foram formados para integrar o projecto, incluindo 1500 jovens em formação no distrito de Palma, em áreas como carpintaria, electricidade e outras especialidades técnicas necessárias à construção da unidade.
A TotalEnergies detém 26,5% do consórcio Mozambique LNG, seguida da japonesa Mitsui, com 20%, da moçambicana ENH, com 15%, e das indianas Bharat Petroleum, Oil India e ONGC Videsh, com 10% cada. A tailandesa PTTEP possui os restantes 8,5%.


























































