O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a apoiar operações de busca, salvamento e avaliação de danos em Moçambique através do uso de tecnologia avançada de drones, numa resposta directa às inundações que atingem sobretudo o sul do País, no decurso da época chuvosa 2025-2026.
De acordo com um comunicado oficial, as missões aéreas tiveram início esta semana na província de Gaza, com especial incidência nos distritos de Chókwè e Guijá, onde equipas conjuntas compostas por técnicos do Governo e especialistas sul-coreanos estão a utilizar drones para localizar residentes isolados, transmitir coordenadas em tempo real e apoiar a coordenação das equipas de emergência no terreno.
De acordo com informações divulgadas no comunicado do projecto, a dimensão dos danos é considerada severa. Estima-se a perda de mais de 34 mil cabeças de gado e a destruição de mais de 100 mil hectares de áreas agrícolas, cenário que levanta o risco de uma crise de segurança alimentar para além do impacto imediato das cheias. A cidade de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, encontra-se entre as mais afectadas, com extensas áreas submersas e ligações rodoviárias comprometidas, dificultando o acesso das equipas de socorro por via terrestre.
A iniciativa integra o Projecto de Gestão de Desastres Baseado em Drones, lançado em Abril de 2025 pelo BAD, em parceria com o Governo de Moçambique e o Busan Techno Park, com financiamento do Fundo Fiduciário Coreano. O programa inclui a criação de um centro de formação de pilotos de drones no país e a implementação de sistemas de monitoria e resposta de emergência em cinco zonas propensas a inundações.
No âmbito do reforço da capacidade nacional, o projecto procedeu à doação de nove drones, dos quais quatro destinados à formação e cinco de uso operacional. Até ao momento, 20 moçambicanos, entre quadros do sector de gestão de calamidades e forças de segurança, concluíram a formação técnica e participam activamente nas missões ao lado de especialistas internacionais.
As operações foram activadas após reuniões de coordenação de alto nível realizadas a 26 de Janeiro, envolvendo representantes do Governo moçambicano, do Banco Africano de Desenvolvimento e equipas técnicas sul-coreanas, com o objectivo de acelerar a resposta humanitária nas áreas mais críticas.
Em declarações citadas no comunicado, o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, considerou a iniciativa “um momento decisivo na estratégia nacional de resposta a desastres”, sublinhando que a aposta na tecnologia permitirá ao país proteger melhor as comunidades face a emergências climáticas cada vez mais frequentes.
Por seu turno, o representante residente do BAD em Moçambique destacou que a transição da fase de formação para operações activas no terreno possibilita a obtenção de dados em tempo real, encurtando o tempo de resposta e facilitando o acesso a comunidades isoladas. Já o presidente do Busan Techno Park afirmou que a intervenção constitui um exemplo de cooperação tecnológica internacional aplicada de forma imediata numa situação real de crise.
Especialistas envolvidos no projecto defendem que o uso de drones representa uma mudança estrutural na gestão de desastres, permitindo operações de resgate mais rápidas, seguras e eficientes, bem como a monitoria contínua de infra-estruturas danificadas e zonas de risco.

























































