Os artistas moçambicanos Mário Cumbana, Thandi Pinto e Délfio Muholove, a angolana-alemã Maresa Nzinga Pinto e a cabo-verdiana Gilda Barros são os cinco criadores seleccionados para a 5.ª edição da Residência Artística UPCYCLES.
A iniciativa, promovida pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM) com o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, desafia os participantes a reinterpretar arquivos audiovisuais históricos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
O júri foi composto por Ângela Ferreira, Diana Manhiça e João Roxo. No total, foram recebidas 37 candidaturas, sendo 34 válidas, submetidas por artistas de todos os PALOP.
“Usámos critérios como originalidade, interesse/impacto, capacidade de produção e viabilidade técnica e logística”, salientou o júri.
Os moçambicanos seleccionados trazem percursos distintos. Mário Cumbana é um fotógrafo e cineasta conhecido pelo seu trabalho documental sobre resistência e cultura urbana, tendo sido vencedor do Prémio Mozal Artes e Cultura 2025, na categoria fotografia. Thandi Pinto, artista visual, explora questões de identidade e memória colonial através da colagem digital e analógica, com participações em feiras como a ARCO Lisboa. Já Délfio Muholove destaca-se como criativo multidisciplinar, produzindo conteúdo com foco em impacto social e juvenil, e está a desenvolver uma instalação que reutiliza arquivos históricos moçambicanos.
Das outras nações africanas que falam português, foram também escolhidas duas vozes. Maresa Nzinga Pinto, investigadora e cineasta angolana-alemã, centra o seu trabalho na recuperação das histórias das comunidades negras na antiga Alemanha Oriental, tendo vencido recentemente um prémio com um documentário sobre trabalhadoras moçambicanas na República Democrática Alemã (RDA). Por seu lado, Gilda Barros, muralista e pintora cabo-verdiana, constrói uma obra em torno da representação da mulher negra e da ancestralidade, com participação na 15.ª Bienal de Dakar em 2024 e vários murais de grande escala em Portugal.

A residência decorrerá num formato híbrido, começando com dois meses de tutoria à distância a partir de 3 de Fevereiro. O período presencial intensivo está agendado para Maputo, entre 30 de Março e 10 de Abril de 2026, culminando numa exposição colectiva. Os artistas internacionais seleccionados beneficiam de apoio financeiro, que inclui bolsa de criação, verba para materiais, direitos de arquivo, viagem e alojamento.
“Esta selecção reflecte uma extraordinária diversidade de abordagens artísticas sobre a memória colectiva e pessoal. Cada um destes criadores traz um olhar único e crítico para os arquivos que nos constituem”, afirmou a organização num comunicado.
Foram ainda indicados seis suplentes, nomeadamente, Dércio Muchanga, António Júnior, Pedro Julião e Tiófelo Fumo (Moçambique), Luís Figo (Angola) e Emerson Quinda de São Tomé e Principe. Além disso, a organização decidiu que todos os 34 candidatos à residência poderão participar nas sessões online como convidados.
A UPCYCLES – Residência Criativa Audiovisual insere-se numa estratégia mais ampla de reinterpretação do património audiovisual comum dos PALOP, incentivando a mobilidade e a criação de redes entre artistas do espaço lusófono. A iniciativa tem o apoio do Centro Cultural Franco-moçambicano e da Direcção da Cultura da UEM, através da Fortaleza de Maputo.























































