O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) garantiu, esta quinta-feira (22), que continuam em curso diligências no âmbito da investigação à morte do cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis, administrador do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), encontrado sem vida numa unidade hoteleira em Maputo a 15 de Janeiro.
“A investigação não foi encerrada, nós não comunicámos que houve encerramento da investigação, ainda decorrem diligências”, declarou à Lusa o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, refutando interpretações que dariam o caso como concluído.
Apesar de o relatório médico-legal, aliado às provas recolhidas no local, apontar para suicídio, as autoridades reconhecem que permanecem elementos em análise que poderão esclarecer em definitivo as circunstâncias da morte. “Pode ter sido suicídio, mas o suicídio, se calhar, pode ter sido provocado. Então, há esses elementos que precisam de ser ainda apurados”, sublinhou Hilário Lole.
Inicialmente tratado como homicídio pela Polícia da República de Moçambique (PRM), o caso evoluiu após a apresentação de imagens de videovigilância, que mostram o gestor português a adquirir instrumentos cortantes e veneno para ratos, os quais foram mais tarde encontrados na sua posse. O SERNIC afirma que estes indícios sustentam a hipótese de suicídio, embora insista na necessidade de esclarecer por completo todas as dúvidas remanescentes.
Pedro Ferraz Reis, de 56 anos, exercia funções de administrador no BCI, instituição financeira participada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e pelo Banco BPI, ambos portugueses. O seu falecimento causou forte consternação na comunidade portuguesa residente em Moçambique, com a Embaixada de Portugal em Maputo a manifestar publicamente condolências à família, amigos e colegas.
Entretanto, uma petição ‘online’ com mais de 5000 assinaturas foi dirigida às autoridades portuguesas, denunciando “incongruências” na versão oficial. O documento contesta a alegada rapidez com que se passou da tese de homicídio para a de suicídio, considerando “inimaginável” que a vítima tenha saído do local de trabalho para ir buscar uma faca a casa, comprado outras duas e veneno, para em seguida cometer o acto num hotel da capital.
A petição exige uma acção firme por parte do Governo português, apelando à Assembleia da República e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para que intervenham no sentido de garantir o apuramento cabal dos factos e a salvaguarda da memória e integridade de Pedro Ferraz Reis.
























































