Com Wall Street de regresso após um feriado nos Estados Unidos da América (EUA), a ameaça de tarifas de Donald Trump a vários países europeus que apoiam a Dinamarca na questão da Gronelândia, e que leva a Europa a ripostar, está a gerar receios nos investidores.
Os mercados sofreram fortes quedas após Trump ameaçar impor novas tarifas a países europeus e intensificar o confronto geopolítico em torno da Gronelândia, alimentando receios sobre uma nova guerra comercial e instabilidade política.
O S&P 500, benchmark norte-americano, encerrou a sessão a desvalorizar 2,06% para 6796,86 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cedeu 2,39% para 22 954,32 pontos e o industrial Dow Jones caiu 1,76% para 48 488,59 pontos.
Os principais índices accionistas dos EUA estão sob pressão significativa desde a abertura dos futuros no domingo (18), num contexto de renovadas tensões entre os Estados Unidos e a Europa relacionadas com as declarações do Presidente Trump sobre a Gronelândia.
O Presidente norte-americano ameaçou impor tarifas de 10% a partir de 1 de Fevereiro, que aumentarão para 25% a 1 de Junho, sobre a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia “até que se chegue a um acordo para a compra total da Gronelândia.”
Por falar em tarifas, espera-se que o Supremo Tribunal dos EUA publique a sua decisão sobre a utilização de legislação de emergência pelo Governo para impor tarifas generalizadas aos seus parceiros comerciais, uma medida que pode ser prejudicial para os interesses da administração.
“Hoje e amanhã são dias em que o Tribunal publica pareceres, pelo que é possível, embora não seja certo, que divulgue a sua decisão sobre este assunto, uma decisão que estamos convencidos que irá gerar uma significativa volatilidade no mercado”, afirmou a Link Securities, nesta terça-feira (20).
Pela primeira vez desde Novembro do ano passado, o índice do “medo” de Wall Street – o VIX – ultrapassou os 20 pontos.
Nem a tentativa de regresso a Presidente da Paz, com a criação do Board of Peace (BoP), ou Conselho da Paz, está a acalmar os mercados.
Trump está a tentar criar uma organização internacional liderada pelos EUA, para actuar como um organismo global de resolução de conflitos, com o objectivo declarado de substituir ou suplementar a influência das Nações Unidas em crises internacionais.

As yields das treasuries atingiram máximos de vários meses, o dólar recua, a bitcoin encontra-se abaixo dos 90 mil dólares e o ouro atingiu máximos históricos.
Os preços do ouro alargaram a sua subida nesta terça-feira (20), com os investidores a procurarem refúgio no meio da escalada das tensões geopolíticas e comerciais entre os Estados Unidos e a Europa. A procura por activos de refúgio aumentou depois de Donald Trump ter prometido cumprir a sua intenção de controlar a Gronelândia. A ameaça das tarifas também abalou os mercados, reacendendo os receios de um confronto comercial mais alargado entre os EUA e a UE, defende Konstantinos Chrysikos Head of Customer Relationship Management at Kudotrade.
Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, também diz que “os preços do ouro subiram no início da negociação de terça-feira, prolongando os ganhos da sessão anterior e atingindo um novo máximo histórico acima dos 4700 dólares. As tensões entre os Estados Unidos da América e a Europa estão a intensificar-se na sequência das exigências de Washington relativamente à Gronelândia e da reacção firme da Europa.”
“Neste contexto, o apetite pelo risco deteriorou-se, penalizando os mercados accionistas globais, incluindo nos EUA, com os futuros do Nasdaq e do S&P 500 a registarem quedas. Em contrapartida, os activos-refúgio estão a beneficiar de uma forte procura, sustentando os preços do ouro em níveis recorde. Ao mesmo tempo, o dólar norte-americano está a enfraquecer, com o índice que mede o seu desempenho face às principais moedas a cair mais de meio ponto percentual”, acrescenta.
“O ponto central na disputa pela Gronelândia não é apenas o impacto directo sobre o comércio, mas o precedente político: o uso explícito de sanções económicas para forçar concessões territoriais. Para os mercados, isto introduz um prémio adicional de risco geopolítico e reabre um cenário de fragmentação que se acreditava estar contido após os acordos de 2025, refere a XTB numa análise intitulada “Quem Ganha e Quem Perde na Guerra Comercial EUA-Europa”.
A aversão ao risco foi reforçada por tensões entre os EUA e a Europa à margem do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíca, com investidores a temerem impactos duradouros nas relações transatlânticas, no comércio e no estatuto do dólar.
Apesar do choque, muitos estrategas consideram que o cenário-base continua a apontar para um eventual compromisso político, mantendo-se optimistas quanto ao crescimento económico e aos lucros empresariais em 2026, embora alertem para maior volatilidade no curto prazo, refere a MTrader.
No âmbito empresarial, esta terça-feira, após o fecho do mercado, a Netflix vai anunciar os seus resultados para o quarto trimestre de 2025, tendo em conta uma polémica em Hollywood que envolve a compra da Discovery pela Warner Bros.
Noutros mercados, o crude West Texas Intermediate subiu 1,83% (60,53 dólares) e o crude Brent caiu 0,11% (63,87 dólares).
























































