O Governo enfrenta um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, num contexto em que são necessários 14 mil milhões de meticais para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação.
A informação foi avançada esta terça-feira (20) pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da sessão do Executivo, durante a qual foi feito o ponto de situação da capacidade financeira do Estado face às inundações que afectam várias regiões do País.
Segundo Impissa, “o valor agora anunciado resulta de uma revisão em baixa do défice anteriormente estimado em cerca de 8 mil milhões de meticais”, na sequência de reajustes efectuados com base nos recursos já mobilizados e no apoio assegurado por parceiros.
Apesar das limitações financeiras, o porta-voz garantiu que o Governo dispõe de meios para fazer face à situação, recorrendo a recursos nacionais, ao apoio de parceiros internacionais e de países vizinhos, incluindo nove helicópteros, embarcações e outras naves para operações de busca, salvamento e assistência.
Relativamente às infra-estruturas, o responsável referiu que algumas pontes móveis se encontram estagnadas em determinados pontos do País, mas estão devidamente alocadas e poderão ser retiradas ou reposicionadas em caso de emergência, mediante indicação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres.
Como parte das respostas à crise, recentemente, os 250 deputados da Assembleia da República anunciaram a doação de 2,7 milhões de meticais para apoiar as populações afectadas pelas inundações provocadas pelas chuvas que continuam a fustigar várias regiões do País.
Dados preliminares do Governo indicam que 103 pessoas morreram e 173 mil foram afectadas desde o início da presente época das chuvas em Moçambique, registando-se ainda a destruição total de 1160 casas e mais de quatro mil parcialmente inundadas.
“O valor agora anunciado resulta de uma revisão em baixa do défice anteriormente estimado em cerca de 8 mil milhões de meticais”
Inocêncio Impissa
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Fonte: Jornal O País
























































