O Ministério dos Transportes e Logística informou, nesta segunda-feira (19), que o País está a ser afectado por chuvas ininterruptas que estão a causar cheias um pouco por todo o território. A região Sul é a mais prejudicada, com cerca de 40% da província de Gaza submersa e distritos da província de Maputo inundados e, nalgumas situações, isolados.
Num comunicado citado pela Lusa, o Executivo acrescenta que, da avaliação feita até sexta-feira (16), pelo menos 152 quilómetros de estrada já estavam completamente destruídos e mais de três mil quilómetros praticamente intransitáveis. “Há zonas críticas, em Gaza, Maputo e também em Sofala, como resultado da emergência do nível das águas”, descreveu.
Segundo a nota, as autoridades estão a trabalhar para fazer a reposição das vias o mais rápido possível, para dar assistência às famílias que estão em situação de inacessibilidade e garantir sobretudo a alimentação. “Prosseguem acções e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores”, frisou.
“A subida do caudal do rio Incomáti fez galgar uma extensão de aproximadamente três quilómetros da N1. Neste sentido, ordenou-se a suspensão imediata da circulação de todo o tipo de viaturas neste troço”, avançou a entidade por meio de um comunicado.
Perante a situação, a instituição relatou que já foram destacadas equipas técnicas para trabalhar na monitorização da via. Assim, “a ANE apelou aos automobilistas e aos transportes de passageiros para programarem as suas deslocações, bem como evitar a circulação de veículos com peso acima de 10 toneladas em estradas terraplanadas.”
Dados preliminares do Governo indicam que 103 pessoas morreram e 173 mil foram afectadas desde o início da presente época das chuvas em Moçambique, registando-se ainda a destruição total de 1160 casas e mais de quatro mil parcialmente inundadas.
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

























































