O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, defendeu que o país deve fazer “o trabalho de casa” para enfrentar medidas discriminatórias ou restrições à mobilidade como as anunciadas pelos Estados Unidos da América (EUA).
“Enquanto país, temos de fazer o nosso trabalho de casa que, neste momento, é fazer tudo para defender os interesses dos cabo-verdianos que vivem em vários países onde há medidas mais restritivas ou discriminatórias em relação aos imigrantes”, referiu o governante numa publicação feita na Internet e citada pela Lusa.
Segundo o chefe de Estado, é necessário exercer influencia “de modo que a comunidade cabo-verdiana seja bem tratada em todos esses países, sobretudo nos Estados Unidos, onde temos uma relação histórica e um contributo forte para o crescimento e desenvolvimento desse país.”
O Departamento de Estado, liderado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou ter instruído os funcionários consulares para suspenderem os pedidos de vistos de imigração provenientes dos países abrangidos, em conformidade com uma ordem mais ampla emitida em Novembro, que apertou as regras relativas a potenciais imigrantes que possam tornar-se um “encargo público” nos EUA.
A suspensão, que terá início a 21 de Janeiro, não se aplica a candidatos a vistos de não imigrante, ou seja, vistos temporários de turismo ou negócios, que representam a grande maioria dos pedidos.
Espera-se que a procura por vistos de não imigrante aumente de forma significativa nos próximos meses e anos, devido ao Campeonato do Mundo de 2026, no qual Cabo Verde participa, e aos Jogos Olímpicos de 2028, ambos organizados ou co-organizados pelos EUA.
Em reacção, o Governo cabo-verdiano afirmou na quinta-feira, 15 de Janeiro, que a “suspensão inesperada” do arquipélago da emissão de vistos de emigração para os Estados Unidos compromete gravemente a mobilidade dos cidadãos, já afectada com cauções sobre vistos de negócios ou turismo.
“Num espaço de 15 dias, a actual administração dos EUA tomou duas decisões que afectam de modo grave os cidadãos de Cabo Verde na sua expectativa de mobilidade entre os dois países”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, José Luís Livramento.
O ministro reiterou que o Executivo continuará a trabalhar com os Estados Unidos para retomar a normalidade na mobilidade o mais rapidamente possível. “Entre as iniciativas em curso está o regresso do Corpo da Paz ao arquipélago para apoiar cidadãos que vão emigrar, com foco no domínio mínimo da língua inglesa e no conhecimento da sociedade americana”, esclareceu.

























































