Acelerar uma transição energética justa até 2030 em cada um dos países da CPLP é o objectivo do documento lançado em Maputo. O guião aponta caminhos para planeamento, aquisição de competências e financiamento.
Os Estados-membros da CPLP (Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa) vão poder consultar o Roteiro de Cooperação 2030 para navegar nos meandros da transição energética, anunciou a Comissão Temática de Energia e Clima da organização. “O documento constitui-se como um alicerce de cooperação orientada para a acção, deixando o convite para parceiros se juntarem à iniciativa”, esclareceram os promotores, depois do 5.º Seminário de Energia e Clima da CPLP, realizado no final de Outubro, em Maputo. O roteiro representa “um instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes no âmbito dos países de língua portuguesa.”
O detalhe técnico teve a chancela dos observadores consultivos da CPLP para este sector, sob coordenação da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) e da Associação de Reguladores de Energia dos Países de Língua Oficial Portuguesa (RELOP).
Os quatro eixos estratégicos do documento
O Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima é o resultado de um ciclo de diálogo e cooperação entre os pontos focais para os temas de ambiente, energia e finanças da CPLP, realizado entre 2024 e 2025, no âmbito de uma série de seminários temáticos. O documento organiza-se em quatro eixos estratégicos: o planeamento energético, que orienta políticas e investimentos sustentáveis; a liderança e capacitação, que fortalece competências técnicas e institucionais; a mobilização de financiamento, que procura atrair recursos e parcerias inovadoras; e a aceleração das transições energéticas que impulsione o uso de energias renováveis, a modernização das infra-estruturas e o acesso universal à energia.
“Mais do que uma agenda comum, o roteiro constitui uma visão colectiva de transformação, progresso e desenvolvimento. O objectivo é ser um instrumento impulsionador de acções concretas de cooperação no espaço da CPLP, mas também promover uma concertação estratégica que fortaleça a presença internacional da CPLP como um bloco forte e coordenado”, destacaram os promotores, em comunicado.
“Alinhamento estratégico de vontades”
“O roteiro representa uma forma de coordenação e alinhamento estratégico de vontades, que parte de prioridades nacionais comuns para a concretização de um caminho de cooperação conjunto, que se materializará em iniciativas”, referiu Mayra Pereira, presidente da ALER, citada no mesmo comunicado.
“O roteiro representa uma forma de coordenação e alinhamento estratégico de vontades, que parte de prioridades comuns para um caminho de cooperação”, Mayra Pereira, presidente da ALER
“Este é um ponto de partida, um documento dinâmico e aberto, concebido para evoluir com as contribuições das várias partes interessadas. Deixamos um convite à participação de parceiros estratégicos e de implementação.” A ideia é alavancar investimento e projectos “que garantam transições energéticas justas, inclusivas e sustentáveis em cada país de língua portuguesa”.
Europa e África juntam-se nas parcerias estratégicas
Os primeiros parceiros estratégicos do roteiro já são conhecidos: o programa europeu GET.transform e a Africa Climate and Energy Nexus (AfCEN). “Esta parceria representa um passo estratégico para apoiar Moçambique no processo da transição energética e na implementação dos quatro eixos do roteiro, em articulação com os demais países da CPLP”, salienta Enrico dal Farra, coordenador do programa GET.transform em Moçambique. O planeamento energético e o desenvolvimento de capacidades “são ingredientes fundamentais para impulsionar a transição energética justa e resiliente e abrir portas ao financiamento, através da criação de um ambiente favorável e da adopção de abordagens de redução de riscos, incluindo a cooperação Sul-Sul e triangular”, acrescentou.
Por sua vez, o CEO da AfCEN, Joseph Nganga, pretende “tornar o crescimento verde numa oportunidade de investimento. Enquanto rede que combina conhecimento local com inovação tecnológica em África, ajudaremos os Estados-membros a transformar opções credíveis em projectos financiados, de forma rápida e em larga escala”, prometeu.
A ALER é uma associação sem fins lucrativos cuja missão é promover a transição energética nos países de língua portuguesa, garantindo acesso universal a energia limpa e sustentável. Por sua vez, a RELOP é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão promover a cooperação e a partilha de experiências para garantir a protecção dos consumidores através de uma política regulatória robusta.
Texto: Redacção • Fotografia: DR























































