A semana económica em Moçambique foi marcada por informações de interesse e de estímulo aos negócios. De forma positiva, foi anunciada a recuperação do sector do turismo, sobretudo durante as festividades do Natal e fim de ano. Segundo os dados partilhados pelo director Nacional do Comércio e Prestação de Serviços no Ministério da Economia, Joel Nhassengo, 311,7 mil turistas visitaram o País, o que gerou uma receita de 22,7 milhões de euros.
O responsável fez saber que o período das festas foi caracterizado pela elevada mobilidade populacional e intensificação da actividade económica, com o Governo a assegurar a estabilidade de preços, e da disponibilidade dos serviços e produtos.
“De forma geral, o período festivo decorreu com tranquilidade e normalidade no funcionamento da economia. Registaram-se algumas ocorrências pontuais, sobretudo associadas ao aumento da circulação rodoviária e transfronteiriça e à pressão sobre determinados serviços. Essas situações foram prontamente acompanhadas pelas autoridades competentes através de respostas coordenadas”, explicou.
Actividade económica voltou a crescer em Dezembro de 2025, reforçando optimismo para 2026
Outra boa notícia é que a economia registou em Dezembro, e de forma consecutiva, o crescimento da actividade no sector privado, alcançando o melhor desempenho em dez meses, de acordo com o índice PMI (Purchasing Managers’ Index), divulgado pelo Standard Bank. O relatório evidencia uma melhoria generalizada da produção, do volume de encomendas e do emprego, ao mesmo tempo que reforça o sentimento de confiança entre as empresas para o ano de 2026.
O PMI de Moçambique atingiu os 50,9 pontos em Dezembro, ligeiramente acima dos 50,8 registados em Novembro e dos 50,4 de Outubro. Os valores acima de 50 pontos indicam melhoria nas condições de negócio, enquanto os inferiores assinalam deterioração. Segundo o banco, trata-se da maior subida da actividade económica privada desde Fevereiro, reflectindo o aumento mais expressivo do emprego em mais de dois anos e meio.
O estudo indica que “os níveis crescentes de novos negócios e de produção apoiaram as empresas nas suas decisões de contratar, adquirir mais meios de produção e, pela primeira vez desde Abril passado, aumentar os seus ‘stocks’”.
Contudo, apesar da recuperação, o documento alerta que a inflação dos custos de produção permaneceu entre os níveis mais elevados do ano, impondo ainda pressão sobre as operações empresariais. A retoma foi transversal aos principais sectores da economia, com destaque para os serviços e para o comércio a grosso e a retalho, onde se registaram os maiores aumentos da actividade.
Redução das reservas dos bancos no Banco de Moçambique na primeira semana de Janeiro
Esta variação corresponde a uma redução acumulada de liquidez na ordem de 106,8 milhões de dólares, com os saldos médios de excesso de liquidez a recuarem de 280,2 milhões de dólares no dia 2 para 231,5 milhões de dólares no dia 8.
As reservas obrigatórias representam os montantes que os bancos comerciais devem manter depositados no banco central, sendo um instrumento fundamental de controlo monetário. A descida da taxa efectiva indica uma menor retenção de fundos por parte dos bancos, podendo reflectir uma maior procura de liquidez para concessão de crédito ou gestão de tesouraria.
Em contrapartida, a taxa efectiva de reservas obrigatórias em moeda estrangeira apresentou uma tendência ligeiramente ascendente ao longo da semana, passando de 32,28% para 32,52%, com o desvio de liquidez a subir de 70,3 milhões para 76,3 milhões de dólares, um acréscimo de 6 milhões de dólares.
Este comportamento semanal de redução de reservas ocorre num contexto de ajustes mais amplos no sistema financeiro. No ano de 2025, segundo dados divulgados em Dezembro, as reservas obrigatórias dos bancos comerciais registaram uma queda acumulada de cerca de 29%, reflexo de medidas de flexibilização monetária adoptadas pelo Banco de Moçambique para reforçar a liquidez disponível na economia.
A tendência sugere que as instituições financeiras procuram maior flexibilidade de recursos para responder às necessidades de crédito e de gestão da tesouraria, num momento em que o banco central continua a calibrar os requisitos de reservas como parte da sua política monetária.
Texto: Cleusia Chirindza





























































