A London Wine Competition, uma competição internacional que se destaca por avaliar vinhos, reuniu alguns dos mais respeitados sommeliers, compradores e profissionais do sector do Reino Unido. As suas perspectivas para 2026 traçam um retrato claro de um mercado em mudança, marcado pela procura de autenticidade, sustentabilidade e novos modelos de consumo.
Autenticidade, património e castas com identidade
A valorização da herança vitivinícola e da autenticidade surge como um dos pilares centrais para os próximos anos. Georgios Iordanidis, head of wine do Annabel’s, antecipa um regresso ao consumo efectivo de grandes vinhos, ao declarar que “as pessoas vão voltar a beber vinhos raros, em vez de os guardarem.”
Para Maria Boumpa, wine director do Da Terra, o foco está na diversidade genética e cultural da vinha. “O renascimento de castas autóctones históricas e quase esquecidas é uma das tendências mais entusiasmantes.”
Esta visão é reforçada por Anastasios Karakasis, head of wine & Wine buyer do Bacchanalia, que identifica uma mudança clara no comportamento do consumidor, e afirma que “as pessoas estão cada vez mais a procurar autenticidade no vinho.”
A origem, o terroir e a história do produtor assumem, assim, um papel decisivo na escolha dos vinhos.
Vinhos com baixo ou sem álcool: de nicho a segmento estratégico
Os vinhos com baixo teor alcoólico ou sem álcool deixaram de ser uma curiosidade para se afirmarem como um segmento em crescimento sustentado. Michele Orbolato, do Thesleff Group, aponta directamente para este movimento, destacando o aumento da procura por “vinhos low e no alcohol”.
Angelo Lorea, do The Roof Gardens, é igualmente claro: “Os vinhos com baixo ou nenhum álcool parecem ser a próxima grande tendência.”
Espumantes em ascensão contínua
O segmento dos espumantes mantém uma dinâmica muito positiva. Tim Triptree MW, da Christie’s, prevê mesmo um “renascimento do Champanhe”, enquanto outros jurados destacam o crescimento consistente de espumantes premium de diferentes origens, cada vez mais valorizados pela sua qualidade e versatilidade gastronómica.
Sustentabilidade: um critério essencial de compra
A sustentabilidade deixou definitivamente de ser uma tendência para se tornar um requisito básico. Yves Desmaris, do Galvin La Chapelle, sublinha que “as práticas de viticultura e vinificação sustentáveis são cada vez mais importantes.”
Já Antonio Palmarini, do restaurante Nela, enquadra esta evolução de forma mais ampla. “Não existe apenas uma tendência, mas sim uma mudança para práticas holísticas e sustentáveis.”
No mercado britânico, estas preocupações influenciam directamente as decisões de compra.
Vinhos laranja, naturais e estilos de mínima intervenção
Os estilos alternativos continuam a ganhar espaço, especialmente entre consumidores mais curiosos e cartas de vinho diferenciadoras. Carla Bertellotti, da Vinos Latinos, observa que “os vinhos laranja continuam a crescer”, reflectindo o interesse por vinhos de mínima intervenção, expressão de terroir e autenticidade.
Regiões emergentes e pequenos produtores no radar
A descoberta de novas regiões e pequenos produtores é outro dos motores do mercado. Valeria Rodriguez destaca “a vontade de descobrir pequenos produtores e regiões menos óbvias”, enquanto Joanna Nerantzi, do 5 Hertford Street, acredita que “as regiões emergentes vão assumir um papel dominante nas cartas de vinho até 2026.”
Para importadores e distribuidores, esta tendência representa uma oportunidade clara de diferenciação e criação de valor.
Recuperação do mercado e adaptação criativa
Apesar de um contexto desafiante, há sinais de optimismo. Seray Kocaemre, da Fabulator Vino, aponta para “a recuperação esperada do mercado em 2026, que deverá trazer nova energia.”
Matteo Furlan, do The Dorchester, acrescenta que, perante a redução do consumo global, “a adaptação dos produtores passará inevitavelmente pela qualidade e criatividade.”
Fonte: Vinha
























































