A Universidade de São Paulo (USP) anunciou o desenvolvimento do depósito da patente considerada a primeira bateria de nióbio funcional, estável e recarregável do mundo. O dispositivo “foge” dos sistemas binários de “ligado” e “desligado” e funciona como um “interruptor com múltiplos níveis” de energia.
De acordo com a instituição, o nióbio destaca-se por possuir múltiplos estados de oxidação em vez de operar apenas no sistema binário de “ligado” e “desligado”, factor que amplia substancialmente a capacidade de armazenamento de energia. Embora este metal seja um recurso estratégico comum em ligas metálicas, a criação de uma bateria que o utilize como componente central representava, até agora, um desafio científico inédito a nível mundial.
Sublinhou ainda que um avanço crucial foi o desenvolvimento da camada de protecção NB-RAM, que actua como um “escudo inteligente” e preserva o nióbio contra o desgaste e a oxidação. O acto permite que o metal armazene diferentes níveis de energia de forma estável e repetitiva, funcionando como um interruptor de várias posições que não perde a capacidade de carga com o tempo.
A tecnologia foi desenvolvida no grupo de bioelectroquímica e interfaces do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP), sob a liderança de Frank Crespilho, que avança: “O Brasil não precisa de só exportar recursos, mas pode liderar tecnologias desde que a ciência seja tratada como prioridade nacional.”
O projecto levou dois anos de optimização até alcançar a estabilidade necessária para o depósito da patente. A bateria atingiu três volts, o que demonstra a sua viabilidade para aplicações práticas, e a prova de conceito foi validada mediante múltiplos ciclos de carga e descarga em ambientes controlados, que testam a sua durabilidade e funcionalidade.
Segundo o portal ZAP Aeiou, a abundância de nióbio no Brasil, aliada à eficiência desta nova arquitectura, despertou o interesse de mercados internacionais focados na transição energética, especialmente de empresas chinesas. O objectivo actual centra-se no aumento da escala de produção e na consolidação de parcerias industriais para transferir a tecnologia dos laboratórios para o mercado global.
“Esta é uma tecnologia estratégica. O depósito da patente garante protecção, mas é o empenho institucional que assegura que ela se transforme em desenvolvimento, indústria e soberania tecnológica”, conclui o investigador.
A iniciativa tem grande importância estratégica, tendo em conta que o Brasil detém cerca de 90% das reservas mundiais de nióbio. Mas, historicamente, o país tem actuado sobretudo como exportador do minério em bruto ou de ligas de baixo valor acrescentado. A patente procura uma mudança de paradigma, ao colocar o Brasil numa posição privilegiada na cadeia de valor das tecnologias de energia limpa, o que permitiria ao país exportar soluções de ponta, em vez de apenas matéria-prima.
























































