Há quem acorde de manhã e diga: “Hoje quero fazer um anúncio.” Eu, confesso, nunca fui desses. Acordo e penso: “Hoje quero provocar alguém.” Foi mais ou menos assim que começou a DDB Moçambique — há 25 anos, num país que ainda aprendia a transformar sonhos em planos e ideias em negócios. No meio de cafés frios, prazos quentes e computadores que faziam barulho só para assustar, alguém (não lembro se fui eu, mas podia ter sido) disse: “Vamos ser Inimigos do vulgar.” E pronto. Sem querer, tínhamos acabado de fundar uma pequena revolução, com mais convicção do que orçamento e mais paixão do que método.
A era da teimosia criativa
Ser inimigo do vulgar em Moçambique não é só uma filosofia: é um estilo de sobrevivência. A cada dia, o País dava-nos um novo desafio — e nós respondíamos com uma ideia.
Não tínhamos drones, TikTok ou ChatGPT (felizmente), mas tínhamos imaginação e uma teimosia que não cabia em briefing nenhum. Enquanto uns vendiam jingles, nós vendíamos emoção. Enquanto uns mostravam produto, nós contávamos histórias. Enquanto uns falavam, nós tentávamos dizer algo que valesse a pena ouvir. E foi dessa mistura de criatividade e improviso que nasceu o Mozambique Fashion Week. Não como um evento, mas como um acto de fé. Acreditámos que moda podia ser muito mais do que roupa bonita — podia ser cultura, educação e transformação.
MFW: onde o glamour encontrou propósito
Há 20 anos, o MFW subiu à passarela pela primeira vez. E nunca mais desceu. Com o tempo, deixou de ser apenas um desfile e tornou-se numa escola, num laboratório e num espelho. Um espaço onde jovens descobriram talento, costureiras viraram empreendedoras e a auto-estima do País ganhou nova medida — tamanho XL. “Transformámos a passarela em sala de aula. E o aplauso em ferramenta de desenvolvimento.”
Ao longo dos anos, o MFW mostrou que moda também é cidadania, que estilo pode ser linguagem social e que uma capulana pode carregar mais história que muitos livros. Entre risos, stress e glitter (muito glitter), o evento foi ensinando valores que nenhum manual de marketing explica: disciplina, criatividade e coragem. E se a DDB ajudou a criar essa plataforma, foi porque acreditámos — talvez com uma ingenuidade bonita — que comunicar também é educar. E, às vezes, é apenas fazer alguém sonhar por cinco minutos.
“Durante 25 anos, passaram por nós dezenas de jovens que chegaram tímidos e saíram com brilho nos olhos e planos maiores que o salário. Alguns criaram as suas próprias marcas, outros abriram agências, outros foram mudar o mundo — e, felizmente, quase todos sobreviveram ao primeiro cliente”
De agência a escola disfarçada
A DDB nunca foi apenas uma agência de publicidade. Foi — e continua a ser — uma espécie de escola informal com sentido de humor e tendência para o caos. Durante 25 anos, passaram por nós dezenas de jovens que chegaram tímidos e saíram com brilho nos olhos e planos maiores que o salário. Alguns criaram as suas próprias marcas, outros abriram agências, outros foram mudar o mundo — e, felizmente, quase todos sobreviveram ao primeiro cliente. “O que mais produzimos nestes anos não foram campanhas, foram pessoas.” A DDB foi uma incubadora de talento quando essa palavra ainda nem existia nos PowerPoint. E talvez seja essa a nossa maior herança: o facto de termos ajudado a construir o ecossistema criativo de um país, sem dar por isso.
O mercado antes e depois
No início, o mercado moçambicano de comunicação era, digamos, conservador. As ideias vinham de fora, as campanhas eram cópias mal dobradas e a palavra branding soava a doença tropical. Hoje, felizmente, é outro jogo. O mercado tem alma, humor, irreverência — e aprendeu a arriscar.
Aprendeu que criatividade é investimento, não luxo. Que comunicar é fazer parte da cultura, não só da economia. E, sim, a DDB ajudou nesse processo. Mas com humildade: fizemos parte de uma geração inteira de profissionais, artistas e marcas que decidiram acreditar que Moçambique também pode criar,
não só reproduzir.
Do inimigo ao imaginador
Depois de tanto tempo a combater o vulgar, percebemos uma coisa simples: A luta não é contra o óbvio — é a favor do possível. E foi aí que uma nova palavra entrou na nossa vida: IMAGINE. Porque o mundo é sempre algo a imaginar. E quando se pára de imaginar, pára-se de evoluir. Assim, a DDB cresceu e com ela o nosso lema: IMAGINE
Não é apenas uma assinatura — é o que fazemos (ou tentamos fazer) todos os dias. Imaginar o que ainda não existe. Inspirar quem ainda não acredita. Influenciar o que precisa de mudar. Tudo com uma pitada de humor, uma boa dose de café e a certeza de que o País merece ideias com alma.

Um quarto de século depois
Vinte e cinco anos é muito tempo para continuar com fome de risco, mas o apetite nunca passou. Continuamos a acreditar que uma boa ideia ainda pode mudar o mundo — ou, pelo menos, o humor do País numa segunda-feira de manhã. Vimos o mercado amadurecer, o público evoluir, as marcas ganharem voz. E, pelo caminho, vimos nascer algo que não estava no plano original: uma comunidade criativa vibrante, feita de pessoas que acreditam que o talento moçambicano é, acima de tudo, uma forma de resistência.
“O que começou como uma agência virou movimento. O que começou como um evento virou indústria.”
E agora? O futuro é uma passarela longa. E o mais bonito é que ainda há espaço para todos desfilarem. Depois de 25 anos de DDB e 20 de MFW, o que aprendemos é simples: A criatividade é o nosso maior recurso natural. E quanto mais a partilhamos, mais cresce. Queremos continuar a formar jovens, inspirar mulheres empreendedoras, criar pontes entre arte, tecnologia e comunidade. Queremos continuar a rir, a provocar e a transformar — sem nunca perder o pé no chão, nem o brilho no olhar. Porque o vulgar ainda existe. Mas nós — com sorte e café — continuamos a ser os seus piores inimigos.
DDB Moçambique — 25 anos a imaginar o futuro. Mozambique Fashion Week — 20 anos a inspirar o País. Feita de ideias. Movida por propósito. E com o cheiro bom da terra que nos ensinou a sonhar.




















































