Investigadores da Universidade Central Sul de Silvicultura e Tecnologia, na China, apresentaram uma alternativa mais eficiente e ecológica: janelas transparentes feitas de bambu.
A janela biodegradável, feita a partir de uma das plantas de crescimento mais rápido do planeta, comporta-se quase como pele viva, escurecendo quando está quente para impedir a entrada do calor e clareando quando está frio para permitir a entrada do calor exterior.
Já existem várias técnicas para tornar a madeira transparente. A equipa começou com placas de bambu fabricadas industrialmente, mergulhando-as em ácido peracético a 60 °C durante seis horas, para dissolver a lignina que absorve a luz. Entretanto, a celulose e a hemicelulose, responsáveis pelo suporte estrutural da madeira, são preservadas. A folha deslignificada é então comprimida a 20 MPa a 35 °C até que a sua espessura seja 80% reduzida.
A placa resultante é mais densa (1,33 g/cm³) do que o bambu natural, mas mantém o alinhamento original das nanofibrilas, com uma resistência à tracção recorde de 870 MPa — três vezes a resistência do bambu natural e superior a qualquer outro material de biomassa transparente relatado anteriormente.
Embora a remoção da lignina torne o material branco, a forte compactação da celulose aumenta a transmissão da luz visível para 78%, com uma opacidade útil de 86%, suficiente para evitar o brilho e uniformizar a iluminação interna.
O próximo passo é conferir à janela propriedades termocromáticas, ou seja, a capacidade de variar a sua transparência em resposta ao calor. Tal é feito através da aplicação de uma camada de dez micrómetros de ácido polilático contendo partículas de 200 nm de óxido de tungsténio e vanádio (W-VO2).
A 20 °C, o revestimento transmite 42% da luz visível e 55% da luz infravermelha próxima; a 50 °C, o VO2 muda para uma fase metálica, reduzindo o ganho de calor solar em 9,7% sem comprometer a entrada de luz natural.
A avaliação do ciclo de vida da equipa mostra que o bambu transparente tem o potencial de reduzir 35% o aquecimento global, a formação de partículas em 46% e os indicadores de toxicidade humana entre 40 e 60% em comparação com o vidro comum, com desempenho ainda superior ao do cimento Portland. Outra vantagem é a sua biodegradabilidade no final da sua vida útil, o que permitirá a recuperação das partículas de W-VO2.
Os investigadores afirmam que o processo pode ser adoptado nas linhas de produção de painéis de bambu existentes e no revestimento contínuo rolo a rolo, potencialmente fornecendo painéis de 2 m x 1 m a custos competitivos com o vidro de baixa emissividade, desde que a produção exceda 10 mil m² por ano.
Fonte: Inovação Tecnológica

























































