O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou esta segunda-feira (8) que Portugal é um “amigo” do desenvolvimento de Moçambique e destacou a importância da cooperação bilateral como pilar estratégico para a criação de emprego, geração de rendimento e construção da independência económica nacional. A declaração foi feita durante um encontro com a comunidade moçambicana residente em Portugal, realizado na cidade do Porto, norte do país, tal como informou a Lusa.
“Ninguém desenvolve sozinho. Precisamos de amigos. E Portugal é um desses países amigos que continuará a estabelecer relações económicas com Moçambique, com impacto directo na vida das famílias moçambicanas”, declarou o chefe de Estado, perante mais de uma centena de participantes. Chapo sublinhou que os laços entre os dois países ultrapassam o domínio institucional e ganham expressão no plano humano, considerando que “Moçambique e Portugal são famílias para sempre”.
O encontro antecede a 6.ª Cimeira Bilateral Moçambique–Portugal, marcada para esta terça-feira (9), igualmente no Porto, e deverá culminar com a assinatura de um número recorde de instrumentos jurídicos de cooperação. De acordo com declarações da ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, poderão ser rubricados cerca de 21 acordos, superando o máximo anteriormente registado por Portugal numa cimeira com o Brasil.
Chapo enalteceu ainda o papel da diáspora moçambicana na consolidação das relações entre os dois países, incentivando os cidadãos a investirem também em território português. Acrescentou que esta visita ocorre num “ano especial para Moçambique”, no contexto das celebrações dos 50 anos da independência nacional, sendo um momento propício para reforçar os laços de amizade e solidariedade com Portugal.
A comunidade moçambicana aproveitou a ocasião para apresentar preocupações ligadas ao reconhecimento de qualificações académicas, acesso a oportunidades, burocracia, falta de bolsas de estudo e ausência de espaços culturais próprios. Em resposta, o Presidente comprometeu-se a enviar equipas técnicas para reforçar os serviços consulares em Portugal, incluindo a emissão de cartas de condução moçambicanas.
Quanto ao futuro económico do País, Daniel Chapo reiterou a aposta na diversificação da economia, recorrendo aos ganhos da exportação de gás natural — onde Moçambique é hoje um dos principais produtores em África — sem, contudo, cair numa dependência excessiva. “Temos de transformar esta bênção numa verdadeira bênção para todos os moçambicanos, apostando também no turismo e na agricultura”, afirmou.
A cimeira desta terça-feira contará com a participação do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e cerca de duas dezenas de membros dos dois Governos. Paralelamente. Realiza-se também um fórum económico com mais de 500 participantes, visando consolidar parcerias empresariais e explorar novas oportunidades de investimento bilateral.

























































