Investigadores da Universidade Rutgers, em Nova Jérsia, nos Estados Unidos, anunciaram uma tecnologia que poderá redefinir o uso do plástico em todo o mundo. Inspirados por polímeros naturais, como o ácido desoxirribonucleico (DNA), os cientistas conseguiram criar plásticos com uma vida útil programável, que pode variar de dias a anos, antes de se decomporem de forma controlada.
De acordo com informações do portal New Scientist, o objectivo é tornar o plástico funcional apenas pelo tempo necessário, eliminando o problema dos resíduos persistentes que levam séculos para se decompor no meio ambiente.
A base do estudo, liderado pelo professor Yuwei Gu, reside na estrutura química dos polímeros naturais. Compostos como o DNA e o RNA degradam-se com relativa facilidade devido à presença de grupos químicos chamados “grupos vizinhos”, que facilitam reacções internas que quebram as cadeias moleculares. Os plásticos convencionais, por outro lado, não possuem essas estruturas, o que os torna extremamente duráveis — e, portanto, poluentes.
A equipa replicou esses grupos artificiais em plásticos sintéticos, tornando possível controlar a sua degradação. Ao ajustar a estrutura química dos aditivos, os investigadores conseguiram determinar por quanto tempo o material permanece intacto antes de começar a se decompor.
A proposta é especialmente promissora para produtos de uso a curto prazo, como embalagens de alimentos ou itens descartáveis. “Esta estratégia funciona melhor para plásticos que beneficiam de uma degradação controlada ao longo de dias ou meses”, disse Gu.
Se os obstáculos técnicos forem superados, a tecnologia poderá impactar sectores como o alimentar, o retalho, a logística e as embalagens, oferecendo uma nova geração de plásticos alinhados com a crescente procura por sustentabilidade e regulamentação ambiental mais rigorosa
Apesar deste avanço, alguns desafios ainda impedem a adopção comercial imediata. A decomposição requer exposição à luz ultravioleta — o que não ocorre em materiais enterrados, por exemplo — e ainda não se sabe ao certo se os subprodutos da degradação são completamente inofensivos para o ambiente.
Só em 2022, mais de 250 milhões de toneladas de plástico foram descartadas em todo o mundo, de acordo com a New Scientist, e apenas 14% desse volume foi reciclado. A maior parte dos resíduos é queimada ou enterrada, contribuindo para a poluição do solo, do ar e dos oceanos.
Embora alternativas biodegradáveis já tenham sido testadas, como plásticos derivados de bambu ou algas marinhas, muitos não se decompõem facilmente em condições domésticas, e algumas promessas feitas pela indústria não foram confirmadas na prática.
A abordagem da equipa da Rutgers difere na medida em que tenta oferecer uma solução controlável e escalável com potencial para se integrar no conceito de economia circular.
A comercialização dependerá da capacidade de aumentar a produção e garantir a segurança ambiental dos resíduos gerados. Se os obstáculos técnicos forem superados, a tecnologia poderá impactar sectores como o alimentar, o retalho, a logística e as embalagens, oferecendo uma nova geração de plásticos alinhados com a crescente procura por sustentabilidade e regulamentação ambiental mais rigorosa.
























































