Maputo acolhe, desde esta segunda-feira (1), o Fórum Anual Inaugural do Diálogo Comercial da Associação dos Países da Orla do Oceano Índico (IORA), num encontro que visa consolidar a cooperação económica entre os Estados-membros e impulsionar novas estratégias de integração regional.
A cerimónia de abertura foi presidida pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, que destacou a relevância da digitalização do comércio e da conectividade logística como motores do crescimento económico sustentável.
No seu discurso, o titular da pasta da Economia expressou a sua satisfação pelo facto de Maputo acolher um evento de tamanha importância estratégica para a região oceânica de Mambudo, reiterando o compromisso das autoridades com a promoção de uma cooperação económica assente na sustentabilidade.
O governante sublinhou que este diálogo constitui uma plataforma ímpar para a definição de uma visão conjunta sobre os principais desafios e oportunidades que se colocam à economia regional e ao comércio internacional.
“O diálogo que hoje se inicia oferece-nos uma oportunidade concreta para reconhecermos o potencial económico da região, onde circulam mais de 2,7 mil milhões de pessoas, representando mais de metade da população mundial. Esta concentração populacional é um sinal evidente do impacto que a IORA pode ter na dinamização do comércio e do investimento”, afirmou.
Durante a sua intervenção, Basílio Muhate dirigiu saudações especiais aos representantes dos Estados Unidos, cuja presença foi destacada como sinal do compromisso com a transformação económica regional, alicerçada em novas parcerias estratégicas. Agradeceu também ao secretário-geral da IORA pelo empenho contínuo em assegurar uma plataforma de diálogo com impacto concreto nas relações comerciais multilaterais.
O ministro defendeu que a IORA se deve afirmar como uma base sólida para o progresso colectivo, com foco no desenvolvimento sustentável, segurança do investimento e integração económica. “O nosso objectivo é construir uma cooperação mais estreita e resiliente entre os Estados-membros, que permita transformar o potencial existente em acções concretas e duradouras”, declarou.
No plano técnico, o fórum de dois dias estrutura-se em torno de três eixos fundamentais: a análise de tendências regionais e globais, a identificação de desafios e oportunidades comerciais e o reforço das parcerias público-privadas. Entre os temas em discussão destacam-se a reconfiguração das cadeias de valor, a transição energética, o avanço tecnológico e as tensões geopolíticas que moldam o actual contexto económico mundial.
Basílio Muhate defendeu que a digitalização do comércio, a facilitação de exportações, a conectividade regional e os investimentos estratégicos em corredores logísticos devem estar no centro das intervenções políticas da IORA. Salientou igualmente a importância de se integrar pequenas e médias empresas nas cadeias de valor regionais, aumentando a sua competitividade e capacidade de resposta aos mercados externos.
O governante sublinhou ainda que “não poderá haver progresso comercial sustentável sem a participação activa do sector privado”, defendendo um reforço claro da parceria entre os sectores público e privado, com vista à criação de políticas públicas mais adaptadas aos desafios reais enfrentados pelas empresas.
A IORA, segundo afirmou, representa hoje um dos maiores espaços económicos emergentes, agregando economias em crescimento, mercados facilitados, zonas estratégicas de comércio marítimo e abundantes recursos naturais. Neste contexto, apelou a todos os Estados-membros e investidores para olharem para a região como um parceiro estratégico de elevado potencial por explorar.
“Esperamos que, ao longo destes dois dias, as delegações partilhem as suas experiências, projectos e perspectivas, pois é no diálogo que se constrói o consenso, e é no consenso que nascem as acções transformadoras”, frisou, encorajando a criação de propostas práticas e mecanismos de cooperação que possam gerar resultados tangíveis para os cidadãos e as economias da região.
A encerrar o seu discurso, Basílio Muhate reiterou a expectativa de que o encontro produza visões renovadas e propostas viáveis, capazes de consolidar a IORA como uma plataforma relevante no cenário económico internacional.
O evento decorre em formato híbrido, com a participação de representantes presenciais e online, incluindo membros da academia, especialistas sectoriais e entidades do sector privado, sendo considerado um marco importante na agenda económica da região do oceano Índico.
Texto: Felisberto Ruco





























































