Investigadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Zurique, desenvolveram um microrrobô magnético capaz de transportar e libertar medicamentos com extrema precisão dentro do corpo humano, navegando pelos vasos sanguíneos até ao local exacto onde o tratamento é necessário e dissolvendo-se assim que a sua missão estiver concluída.
Esta tecnologia inovadora abre as portas para novas formas de tratar acidentes vasculares cerebrais, infecções graves e até tumores, minimizando os efeitos colaterais nos tecidos saudáveis.
Em vez de os medicamentos circularem por todo o corpo, o objectivo é guiá-los como um “mini veículo” até ao ponto crítico, lê-se num comunicado da universidade.
Na prática, o robô é uma cápsula esférica microscópica feita de um gel solúvel com nanopartículas de óxido de ferro incorporadas, que lhe conferem propriedades magnéticas. Graças a essas partículas, os cientistas conseguem controlar e rastrear o movimento da cápsula dentro dos vasos sanguíneos usando sistemas de imagem por raios X.
Como os vasos sanguíneos do cérebro humano são muito estreitos, o tamanho da cápsula é um dos principais desafios. Os investigadores tiveram de garantir que, apesar do seu tamanho minúsculo, a cápsula mantivesse propriedades magnéticas suficientes para ser controlada remotamente por campos electromagnéticos.
Outro obstáculo era navegar pela densa e complexa rede de vasos, com curvas, bifurcações e sangue a fluir a alta velocidade. Para superar esse problema, a equipa desenvolveu três maneiras diferentes de “conduzir” o microrrobô usando electroímanes externos. Dependendo do tipo de força magnética aplicada, a cápsula pode rolar ao longo da parede do vaso ou ser puxada numa direcção específica.
Usando esses métodos, o microrrobô pode mover-se com ou contra o fluxo sanguíneo, atingindo velocidades de cerca de 4 milímetros por segundo. De acordo com os investigadores, os campos magnéticos usados penetram profundamente no corpo, e nas intensidades e frequências envolvidas não causam danos aos tecidos.
Quando a cápsula chega ao seu destino, os cientistas aplicam um campo magnético de alta frequência para aquecê-la ligeiramente. Esse aquecimento faz com que a cápsula de gel se dissolva, libertando o medicamento directamente no ponto alvo.
Até agora, a tecnologia foi testada em modelos de silicone que imitam vasos sanguíneos humanos e animais, em vários porcos e também no cérebro de uma ovelha.
O próximo passo da equipa da ETH Zurich é preparar ensaios clínicos em humanos, com a ambição de levar estes microrrobôs para as salas de operações dos hospitais num futuro próximo.
Fonte: Zap Aeiou
























































