O Presidente da República, Daniel Chapo, advertiu esta quinta-feira (27), em Maputo, que medidas severas poderão ser tomadas caso persistam actos de corrupção no seio da Polícia da República de Moçambique (PRM), afirmando que, se nada for feito, “algumas cabeças vão rolar”, informou a Lusa.
Durante a abertura do 35.º Conselho Coordenador do Ministério do Interior, o chefe de Estado não poupou críticas às corporações de trânsito e fronteira, que classificou como “ramos férteis” para a prática de corrupção e enriquecimento ilícito, tornando-se, por esse motivo, os sectores mais almejados pelos agentes da polícia.
“Todos querem pertencer à Polícia de Trânsito e à Polícia de Fronteira porque ali encontram-se oportunidades para enriquecer ilicitamente”, denunciou Chapo, sublinhando que esta realidade compromete a imagem da instituição e mina a confiança da população.
Referindo-se a práticas como o pagamento de subornos para inclusão nas equipas de controlo de velocidade e de álcool, o Presidente exemplificou com o “famoso xitiqui de 5 mil meticais (78,1 dólares)”, afirmando tratar-se de um acto claramente criminoso. “É crime, meus senhores. Têm de acabar com isso”, afirmou, classificando como “absurdo” o facto de tais práticas se terem enraizado no funcionamento da PRM.
Chapo alertou ainda para situações semelhantes registadas na Polícia de Fronteira, onde, segundo denúncias, agentes entregam envelopes aos comandantes para serem colocados em postos considerados estratégicos, como o Aeroporto Internacional de Maputo ou o posto fronteiriço de Ressano Garcia. “Alegadamente porque nestes postos os bolsos enchem com felicidades”, ironizou.
O Presidente lamentou que a má conduta policial nos pontos de entrada e saída do País comprometa a imagem de Moçambique junto de nacionais e estrangeiros. “O cidadão, seja ele nacional ou estrangeiro, ao chegar e ao sair do País, tem de sentir que a polícia é amigável, que a migração é amigável, e que lhe permite ter saudades e voltar o mais breve possível para este nosso belo Moçambique”, sublinhou.
Apelando à concretização de medidas práticas e não apenas simbólicas, Chapo afirmou que os lemas do encontro “não podem ser bonitos somente nos papéis”, exigindo que o impacto das decisões tomadas seja visível na vida quotidiana dos cidadãos, seja nos bairros, nos postos de atendimento, nas vias públicas ou nas fronteiras.
O chefe de Estado desafiou igualmente o Ministério do Interior a encontrar soluções concretas para restaurar a confiança do povo na polícia, destacando a importância da colaboração com as comunidades como ferramenta eficaz no combate ao crime, à imigração ilegal e à corrupção.“Trabalhem com o povo, companheiros”, rematou.



























































