A presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, apelou esta quinta-feira (27), em Maputo, a um “amplo movimento de solidariedade” para apoiar os mais de 70 mil cidadãos deslocados na província de Nampula, em consequência dos recentes ataques armados registados no distrito de Memba, tal como informou a Lusa.
Falando no encerramento da sessão parlamentar que aprovou o Orçamento da Assembleia da República para o exercício económico de 2026, Margarida Talapa alertou para a gravidade da situação humanitária vivida no norte do País, sublinhando que o momento exige unidade nacional.
“Somos convocados para um amplo movimento de solidariedade para minimizar o sofrimento dos nossos irmãos e irmãs vítimas da barbárie terrorista. Juntos, unidos e determinados, vamos dizer não ao terrorismo”, declarou a dirigente parlamentar.
Na véspera, Talapa visitou o centro de reassentamento localizado no posto administrativo de Alua, distrito de Eráti, onde se encontram acolhidas cerca de 15 mil famílias provenientes das zonas de Chipene, Mazua e Lúrio, afectadas por ataques armados. Durante a visita, foram entregues 60 toneladas de bens diversos em apoio às populações deslocadas.
A presidente do Parlamento exortou igualmente o Governo e as Forças de Defesa e Segurança (FDS) a criarem, num curto espaço de tempo, condições que garantam o regresso seguro das populações às suas zonas de origem.
Os ataques no distrito de Memba provocaram, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a deslocação de 71 983 pessoas apenas entre os dias 10 e 17 de Novembro. A agência das Nações Unidas alerta para o agravamento das vulnerabilidades, sobretudo entre mulheres, raparigas, idosos e pessoas com deficiência, que enfrentam riscos acrescidos de violência, privação e insegurança nos locais de acolhimento.
O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, afirmou na quarta-feira que os grupos rebeldes responsáveis pelos ataques estão a abandonar o território, deslocando-se para a vizinha província de Cabo Delgado, em resultado da pressão exercida pelas FDS.
“Atravessaram há uns dias para o lado de Chiúre. Pode ainda haver um e outro perdido, mas a missão é continuar com a perseguição”, garantiu o dirigente provincial.
O norte do País vive há oito anos sob a ameaça de ataques armados protagonizados por grupos extremistas, com o primeiro incidente registado em Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado. Desde então, a violência tem provocado milhares de mortos e deslocados, colocando pressão acrescida sobre a capacidade de resposta humanitária do Estado e das organizações internacionais.



























































