O Governo defendeu esta quinta-feira (27), em Maputo, a necessidade de uma viragem profunda na forma como os serviços financeiros são concebidos e prestados no País, apelando à banca para que aposte em soluções digitais desenvolvidas em parceria com fintechs, tirando partido das tecnologias emergentes, como a inteligência artificial.
O repto foi lançado pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, durante a cerimónia alusiva à celebração dos 30 anos do Millennium bim, onde reiterou que Moçambique vive uma oportunidade histórica para usar a tecnologia na criação de serviços mais inclusivos, eficientes e seguros.
“A banca deve engajar-se na criação de bancos digitais, em colaboração com fintechs, inovadores ou novos investidores, de modo a garantir que todos os cidadãos, independentemente da sua localização, possam aceder aos serviços financeiros”, afirmou o governante, sublinhando que a infra-estrutura tecnológica actualmente existente permite esta mudança com segurança.
Muchanga apontou a inteligência artificial como uma aliada estratégica na transformação digital da banca, destacando o seu potencial para personalizar os serviços, prestar assistência contínua ao cliente e reforçar os mecanismos de detecção de fraudes e gestão de riscos.
O ministro salientou ainda a importância de eliminar o que designou como “imposto geográfico” e “maratona burocrática” no acesso aos serviços públicos e privados, frisando que “o cidadão continua a ser o principal construtor da sua própria experiência de serviço”, devido à falta de interoperabilidade entre instituições e à exigência recorrente de repetição de dados e deslocações físicas.
Como parte da estratégia para alterar esta realidade, o Executivo definiu cinco plataformas nacionais prioritárias: assinaturas digitais, interoperabilidade, portal único do cidadão, centros de dados e mecanismos robustos de cibersegurança. Estas iniciativas visam facilitar a identificação única dos cidadãos, garantir a protecção dos dados pessoais e criar um ambiente digital fiável.
Muchanga defendeu igualmente a revisão do quadro legal e normativo para estimular a inovação, apelando à criação de condições que incentivem a partilha de dados de forma segura e transparente, bem como o financiamento de jovens criadores de soluções tecnológicas.
A aposta em serviços na nuvem (cloud computing) foi também destacada como imperativa para reduzir custos e acelerar a inovação no sector bancário. O ministro garantiu que o Governo irá criar, nos próximos cinco anos, infra-estruturas locais e regulamentação específica para viabilizar o uso da cloud pelas instituições financeiras.

“Só com um sistema financeiro moderno, confiável e digitalmente inclusivo poderemos transformar efectivamente a vida do cidadão moçambicano”, concluiu Américo Muchanga, apelando à colaboração entre o Governo, a banca, as fintechs e as empresas de telecomunicações neste esforço conjunto de modernização.
O Banco Internacional de Moçambique (BIM) iniciou a sua actividade em Outubro de 1995, na sequência de uma parceria estratégica entre o Banco Comercial Português (actual Millennium bcp) e o Estado moçambicano. Actualmente, é uma das maiores instituições financeiras do País.
A estrutura accionista do banco é liderada pelo BCP África, braço do grupo português Millennium bcp, com uma participação de 66,69%. Seguem-se o Estado moçambicano, com 17,12%, o Instituto Nacional de Segurança Social (4,95%) e a Empresa Moçambicana de Seguros (4,15%), entre outros investidores.
No primeiro semestre deste ano, os lucros do Millennium bim registaram uma queda de 48,3%, fixando-se em 1,7 mil milhões de meticais (25,6 milhões de dólares), face aos 3,2 mil milhões de meticais (49,5 milhões de dólares) obtidos no mesmo período de 2024, segundo as demonstrações financeiras relativas ao intervalo de Janeiro a Junho.
Sobre o evento
A “Visão M – Conferência Económica do Millennium bim” assinala os 30 anos de actividade do Millennium bim, reunindo decisores públicos e privados para debater o futuro económico de Moçambique.
O evento conta com a presença do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, dos presidentes dos Conselhos de Administração e executivos das principais instituições bancárias nacionais, líderes empresariais e representantes de organizações internacionais, confirmando a centralidade do Millennium bim no sistema financeiro moçambicano.
Ao longo da jornada serão debatidos temas estruturantes como a diversificação económica, o reforço do valor local, a inclusão financeira e a transformação digital. Em destaque está também a colaboração entre a banca tradicional, as fintechs e o Governo, como chave para modernizar o acesso aos serviços e estimular o desenvolvimento.
Texto: Felisberto Ruco
























































