O anúncio da saída dos Estados Unidos da América (EUA) da Organização Mundial de Saúde (OMS) e os cortes das contribuições de outros países criaram um défice de 430 milhões de euros na agência, noticiou a Lusa, nesta quinta-feira, 20 de Novembro.
A informação foi divulgada pelo director-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que anunciou que o défice, equivalente a 432 milhões de euros, obrigou à eliminação de 1282 postos de trabalho. O responsável reuniu-se com delegados dos Estados-membros para explicar a crise que a organização enfrenta.
Muitos esforços foram feitos para minimizar o impacto nos funcionários, que totalizam cerca de nove mil pessoas, de acordo com o director-geral da OMS, sublinhando que as estimativas apontavam para a necessidade de “despedir cerca de 2900 funcionários”.
Muitos dos postos de trabalho foram eliminados através da não renovação de contratos temporários e pela reforma e rescisões voluntárias, indicou. “Os trabalhadores não são estatísticas, mas pessoas com vidas, famílias e carreiras, e nós tentamos tratar todos com dignidade e respeito, da melhor forma possível”, afirmou.
Ghebreyesus referiu que as restrições financeiras da Organização Mundial da Saúde, que não é a única agência da Organização das Nações Unidas a enfrentar dificuldades económicas, obrigaram a uma redução do orçamento de 2026-27, dos inicialmente projectados 4,5 mil milhões de euros para os 3,6 mil milhões de euros aprovados na assembleia anual de Maio.
“Este ano foi um dos mais difíceis da história da OMS“, salientou o responsável.
A OMS tenta, há vários anos, reduzir a dependência de contribuições voluntárias de um pequeno grupo de doadores e que actualmente representam quase 90% das receitas totais, segundo Ghebreyesus.
Os EUA também reduziram, este ano, o financiamento às organizações para ajuda humanitária ao cortar o investimento na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), alegando fraude e mau uso de recursos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, referiu que mais de 80% dos programas da USAID foram cancelados.
De acordo com um estudo da revista científica The Lancet publicado em Julho, a decisão dos Estados Unidos deverá resultar em mais de 14 milhões de mortes prematuras até 2030.
























































