A electrificação de Senga e Patacua, no distrito de Palma, está a ganhar forma e já entrou na fase final, alguns meses depois de ter sido lançada a primeira pedra durante a inauguração da estrada que liga Quitunda a Senga. Trata-se de mais uma infra-estrutura pensada para apoiar as comunidades reassentadas no âmbito do projecto Mozambique LNG, num processo que tem procurado responder às necessidades mais imediatas das famílias que vivem naquela zona, tal como informou o portal Further Africa.
A estrada, entregue em Setembro, veio facilitar a circulação entre Quitunda, Senga, Patacua e Mangala, encurtando distâncias que, durante anos, dificultaram o acesso a serviços básicos e mercados. Agora, com a rede eléctrica a avançar, estas aldeias começam a sentir que a vida pode, finalmente, tornar-se mais previsível.
O projecto, liderado pela Electricidade de Moçambique (EDM) e apoiado pelo Mozambique LNG, inclui 8,4 quilómetros de linhas de média e baixa tensão, 240 postes de iluminação pública e mais de mil ligações domésticas previstas até Março de 2026. Grande parte da rede já está montada e a colocação dos postes avança diariamente. A iluminação pública deverá ficar concluída logo no início do próximo ano.
Para muitas famílias, este é um passo que há muito se esperava. Nos últimos anos, Quitunda transformou-se na principal zona de reassentamento associada ao projecto de gás, acolhendo centenas de agregados.

A TotalEnergies construiu casas, escolas, unidades de saúde e infra-estruturas comunitárias, mas a falta de energia nas aldeias vizinhas continuava a ser um dos principais factores de exclusão. Com esta nova fase, Senga e Patacua aproximam-se do nível de serviços já disponível na vila de Quitunda.
A electrificação deve beneficiar directamente mais de 1500 famílias, permitindo iluminação pública, refrigeração para pequenos comércios, melhores condições para as escolas e maior segurança para quem circula ao início da noite. Para a EDM, o projecto marca também um esforço de levar a rede nacional a zonas que, durante décadas, ficaram isoladas.
Esta obra surge num momento em que Palma procura estabilizar-se e reconstruir rotinas, depois dos anos mais críticos da violência armada. A presença de infra-estruturas — estradas, energia, serviços públicos — tem sido vista como um sinal de que a vida comunitária pode retomar o seu curso normal, mesmo antes da retoma total das actividades económicas ligadas ao gás.
Se o ritmo actual se mantiver, as primeiras famílias poderão ser ligadas ainda em 2026, consolidando um ciclo de investimentos que começou com a estrada Quitunda-Senga e que agora avança para aquilo que, para muitos, faz a maior diferença: ter luz dentro de casa e uma aldeia iluminada durante a noite.






























































