A Estrada Nacional Número Seis (N6), principal eixo rodoviário que liga o porto da Beira ao Zimbabué e a outros países do interior da África Austral, tem vindo a registar longos congestionamentos causados por filas quilométricas de camiões de carga que aguardam pela travessia na fronteira de Machipanda, na província de Manica, tal como informou a Agência de Informação de Moçambique.
A situação, que se verifica em ambos os sentidos da circulação – entrada e saída de Moçambique – está a provocar sérios transtornos aos automobilistas, muitos dos quais permanecem imobilizados na via por períodos que variam entre dois e quatro dias. Do lado moçambicano, as filas chegam a estender-se por cerca de 15 quilómetros, desde a fronteira até às imediações da cidade de Manica, enquanto do lado do Zimbabué atingem os cinco quilómetros.
Automobilistas apontam os procedimentos aduaneiros morosos como a principal causa do congestionamento, tanto do lado moçambicano como do lado zimbabueano.
Ângelo Manhenga, camionista de longo curso, descreve a situação como crítica: “Quando chegamos a Messica, encontramos uma primeira fila junto ao posto das alfândegas, onde podemos ficar um ou dois dias. Depois, há uma segunda fila que começa depois da cidade de Manica até à fronteira. É um troço de quase 15 quilómetros onde podemos ficar mais dois dias.”
Para além da demora, os motoristas queixam-se da ausência de condições mínimas ao longo da estrada. “Não temos casas de banho, nem lugares para comprar comida. Fazemos as necessidades no mato e, por vezes, passamos vários dias sem tomar banho”, lamentou o mesmo camionista.
Também Benedito Mateus, outro automobilista de longo curso, criticou a insegurança que enfrentam: “Ficamos parados em zonas desertas, com mercadoria diversa no camião. Somos obrigados a vigiar a carga durante a noite, o que compromete o nosso repouso e a segurança das mercadorias.”
Face à gravidade do problema, o Governo da província de Manica anunciou que está a trabalhar numa solução conjunta com as autoridades do Zimbabué. Uma das medidas em estudo é a implementação de uma Paragem Única na fronteira de Machipanda, que visa melhorar os processos aduaneiros e garantir maior fluidez na circulação de mercadorias.
Recorde-se que, em finais de 2024, os Governos de Moçambique e do Zimbabué acordaram a abertura das fronteiras de Machipanda e de Fobs durante 24 horas por dia, substituindo o antigo regime de funcionamento das 6h às 22h. Esta medida, embora positiva, revelou-se insuficiente para dar resposta ao crescente fluxo de trânsito naquela importante travessia.
Machipanda é actualmente a segunda maior fronteira terrestre moçambicana, depois de Ressano Garcia, na província de Maputo, e desempenha um papel crucial no corredor logístico da Beira.
Um encontro bilateral entre autoridades provinciais de Manica e representantes do Zimbabué está agendado para esta terça-feira, 11 de Novembro, onde será discutido em profundidade o plano de intervenção na fronteira de Machipanda.
























































