O administrador-executivo da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), Alcino Michaque, afirmou esta quarta-feira (5), em Maputo, que o fortalecimento do compliance e da gestão de risco são prioridades estratégicas para consolidar a confiança dos investidores e atrair novas empresas ao mercado de capitais. A intervenção teve lugar durante a 2.ª Edição do Fórum Bancário, sob o lema “Inovação Sustentável e Confiança Regulatória”.
Segundo Michaque, a transformação da BVM de Instituto Público para Sociedade Anónima, ocorrida no final de 2023, impôs novas exigências internas, incluindo a institucionalização das funções de compliance e gestão de risco, até então ausentes na estrutura operativa da Bolsa.
“Esta transformação trouxe desafios, que incluem a efectivação da figura do compliance na organização e da gestão do risco, tendo em conta as exigências do próprio supervisor e as boas práticas internacionais”, declarou.
Ao defender o papel do compliance como ferramenta central para reforçar a credibilidade do mercado, Michaque destacou que o seu fortalecimento será determinante para a atracção de novos emissores e investidores, sobretudo num contexto em que o mercado ainda apresenta níveis reduzidos de liquidez e número limitado de títulos cotados.
“A confiança nos mercados financeiros, e nos mercados de capitais em particular, é essencial para atrair novos e bons investidores, bem como para transmitir confiança aos potenciais emissores de títulos”, afirmou.
O responsável reconheceu que a BVM tem ainda um percurso a consolidar em matéria de instrumentos de regulação e fiscalização, mas assegurou estarem em curso investimentos em sistemas que, já no próximo ano, permitirão detectar eventuais manipulações de mercado e garantir maior transparência.
“É verdade que o nosso mercado ainda é incipiente, mas é preciso prepararmo-nos hoje para o futuro. O nosso plano de acção passa precisamente por isso — cotar mais empresas, mas garantir que essas empresas encontrem um ecossistema devidamente preparado para transaccionar de forma confiante no nosso mercado”, explicou.
Michaque reiterou que, para além da confiança dos investidores, a BVM está igualmente focada em garantir que os novos emissores compreendam as exigências de transparência, governança e reporte, essenciais para o bom funcionamento do mercado. “Queremos mais empresas na Bolsa, mas queremos empresas comprometidas com os princípios de boa governação e integridade”, concluiu.


























































