As autoridades alertaram, esta quinta-feira (30), para possíveis inundações nas zonas baixas próximas do rio Maputo, a sul da capital, em consequência das descargas da barragem Pongolapoort, localizada na vizinha África do Sul, cujo pico ocorrerá após o dia 3 de Novembro.
De acordo com a porta-voz da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul), Lisete Dias, a operação de descarga tem como objectivo “garantir o encaixe das águas que possam vir a montante” durante a época chuvosa 2025-26, prevenindo situações de colapso do reservatório.
“Como é habitual, a África do Sul entra em contacto com Moçambique antes de fazer esta descarga. No entanto, a evacuação das águas da barragem Pongolapoort iniciou-se esta quarta-feira. A descarga máxima da barragem deverá ocorrer no dia 3 de Novembro e chegar ao rio Maputo no dia 8 de Novembro”, explicou Lisete Dias.
O rio Maputo, que serve também de fronteira natural entre Moçambique e África do Sul num percurso de 150 quilómetros, desagua no sul da baía de Maputo. A sua bacia hidrográfica, com 1570 quilómetros quadrados, é formada pelos rios Pongola e Ngwavuma, que nascem em território sul-africano, e pelo rio Suthu, que nasce em Essuatíni.
Segundo a porta-voz da ARA-Sul, as zonas mais vulneráveis são as áreas baixas, sobretudo as localidades de Matubula e Catuane, onde se prevê “inundações em áreas agrícolas”. Também poderão ser “condicionadas” algumas vias rodoviárias a sul de Maputo, devido à subida do caudal do rio.
Nos últimos anos, as descargas da barragem Pongolapoort têm provocado cheias que afectaram várias zonas da província de Maputo, danificando infra-estruturas, estradas e plantações agrícolas, sobretudo nas margens do distrito de Matutuíne.
Moçambique é apontado como um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, enfrentando regularmente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa. Entre 2000 e 2023, o País registou mais de 75 eventos climáticos extremos, que causaram perdas económicas superiores a 4,4 mil milhões de dólares (279,3 mil milhões de meticais).
O Governo aprovou recentemente um plano de contingência para a época chuvosa 2025-26, que poderá afectar 1,2 milhão de pessoas, mas que conta com menos de metade dos 14 mil milhões de meticais (cerca de 221 milhões de dólares) necessários. Em Setembro, o Executivo já havia alertado para possíveis cheias de “grande magnitude” e inundações em mais de 4 milhões de hectares agrícolas em todo o País.
























































