A empresa Kenmare Resources plc foi distinguida com o Prémio Padrão-Ouro de Excelência em Transparência 2025, a mais alta condecoração atribuída pelo Índice de Transparência no Sector Extractivo (ITSE). O galardão reconhece o desempenho exemplar e consistente da empresa ao longo dos anos, tornando-a uma referência absoluta em boas práticas de divulgação pública no sector.
A distinção foi atribuída durante a cerimónia da 5.ª edição do ITSE, realizada esta quarta-feira (22) em Maputo, onde foram igualmente premiadas outras empresas com desempenhos relevantes. A Sasol Petroleum Temane conquistou o 1.º lugar no ranking geral, com uma pontuação de 73,68%, classificada como “Boa”, destacando-se pela transparência nas componentes Social e Ambiental.
A Montepuez Ruby Mining (MRM) arrecadou o 2.º lugar, com 73,24%, fruto de um desempenho equilibrado em todas as dimensões avaliadas, enquanto a Twigg Exploration & Mining, Lda ficou em 3.º, com 62,40%, sustentada por um forte compromisso com a governação corporativa e o impacto social.
Durante o evento, a Sasol Petroleum Temane recebeu ainda o Prémio Especial de Transparência Ambiental, sendo reconhecida como a empresa com melhor desempenho nesta componente, considerada uma das mais críticas do sector.
Por outro lado, a Vulcan Resources foi apontada como a entidade menos transparente da edição, recebendo o Prémio Fóssil da Opacidade 2025. Esta distinção negativa visa alertar para a estagnação e resistência à divulgação de informação pública considerada essencial para a boa governação dos recursos naturais.
O índice premiou ainda a Sasol com a Menção Honrosa de “Salto Quântico em Transparência”, reconhecendo o notável progresso qualitativo registado pela empresa em 2025, tanto na pontuação geral como na postura institucional.

Este reconhecimento surge numa altura em que o sector extractivo moçambicano é alvo de crescente escrutínio. De acordo com o Centro de Integridade Pública (CIP), a média geral do Índice de Transparência das Empresas do Sector Extractivo situou-se em apenas 17,98%, com a componente fiscal a registar o pior desempenho. Rui Mate, economista e pesquisador do CIP, defendeu que “sem equilíbrio entre as diferentes dimensões, não se pode considerar uma empresa verdadeiramente transparente.”
“O ITSE actua como um espelho para os reguladores e para o público. Mostra onde está o problema e quem está a fazer bem”, reforçou o especialista, acrescentando que “a transparência deve ser uma prática normal e não uma excepção.”
Este índice de transparência é promovido anualmente pelo CIP, com o objectivo de monitorar e incentivar a divulgação voluntária de informação por parte das empresas do sector extractivo, com base em padrões internacionais e boas práticas de transparência corporativa.
Mais do que uma consagração isolada, o reconhecimento à Kenmare alinha-se com uma fase estratégica da sua presença em Moçambique. A empresa está actualmente envolvida na renovação do Acordo de Implementação com o Governo, ao mesmo tempo que regista progressos operacionais significativos na mina de Moma, em Nampula.
Com uma produção em alta e investimentos contínuos na modernização das suas infra-estruturas, incluindo novas dragas e melhorias nas plantas de concentração, a Kenmare reafirma o seu posicionamento como uma referência de desempenho e transparência no sector mineiro nacional.
Texto: Felisberto Ruco



























































