O Executivo avançou que Moçambique vai consolidar hoje, quinta-feira, 2 de Outubro, a sua posição no sector global do gás natural liquefeito (GNL), com a assinatura da Decisão Final de Investimento (DFI) para o projecto Coral Norte, a segunda plataforma flutuante liderada pela petrolífera italiana Eni, localizada na Área 4 da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.
De acordo com uma nota emitida pela Presidência da República, o Governo está comprometido em promover investimentos estratégicos que contribuam para o crescimento económico sustentável e para a criação de oportunidades de emprego para os moçambicanos.
Sob tutela do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o projecto, operado pela Eni, será desenvolvido pelos parceiros da Área 4 da bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, envolvendo a construção de uma plataforma flutuante para a extracção e liquefacção de gás natural (FLNG), semelhante à que a petrolífera italiana já opera na mesma área, no Coral Sul, desde 2022.
O Projecto FLNG Coral Norte será operado pela Eni, em nome da Rovuma Mozambique Venture (MRV), um consórcio com 70% de interesse participativo, e de que também fazem parte a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC), enquanto a ENH, a KOGAS e a Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) detêm 10%.
Mais-valias para a economia moçambicana
O projecto contempla ainda a disponibilização ao mercado interno de 25% do gás produzido, como estabelece a legislação nacional, bem como 100% do condensado para produção de energia em Moçambique, contribuindo directamente para a industrialização e autonomia energética do País.
Coral Norte vai gerar mais de mil postos de trabalho directos
Com um investimento total estimado em 7,2 mil milhões de dólares (460 mil milhões de meticais), o projecto Coral Norte criará 1400 postos de trabalho directos para moçambicanos. Segundo Impissa, está igualmente previsto um plano de sucessão que visa formar quadros nacionais e aumentar a qualificação da mão-de-obra no sector de petróleo e gás.
O plano agora aprovado integra uma nova unidade FLNG (Floating Liquefied Natural Gas), semelhante à que opera desde 2022 na Área Coral Sul, também sob responsabilidade da Eni. Esta segunda plataforma incluirá seis poços de produção e a infra-estrutura de liquefacção flutuante instalada no alto-mar.
O investimento reforça a presença de Moçambique no panorama energético global, particularmente no contexto da transição para fontes menos poluentes. De acordo com um estudo da consultora Deloitte, as reservas de gás natural liquefeito do País poderão gerar até 100 mil milhões de dólares em receitas ao longo das próximas décadas.
O mesmo relatório projecta Moçambique como um dos dez maiores produtores mundiais de gás até 2040, podendo representar cerca de 20% da produção total africana.
Previstas receitas de 100 mil milhões de dólares até 2040
“As vastas reservas de gás poderão fazer de Moçambique um dos dez maiores produtores mundiais, responsável por 20% da produção de África até 2040”, refere a consultora por meio de um relatório sobre as Perspectivas Energéticas de África.
A Deloitte considera que, com base em medidas eficazes, Moçambique poderá tornar-se um centro energético da África Austral. “Deve haver um plano estratégico para cada fonte de energia, o desenvolvimento das cadeias de valor e indústrias locais ligadas às energias renováveis e produtos associados, a atracção do sector privado, a promoção da liberalização económica e modificações ao quadro jurídico. O País precisa também de definir uma estratégia para navegar na descarbonização dos mercados globais e da sua própria economia”, defende o relatório.




























































