A TotalEnergies deverá levantar, formalmente, já na próxima semana, a declaração de força maior que desde Abril de 2021 suspendeu o megaprojecto Mozambique LNG, na península de Afungi, Cabo Delgado, notícia o portal especializado em Oil&Gas Upstream. A decisão marca um ponto de viragem para a economia moçambicana, reactivando um investimento de 20 mil milhões de dólares, considerado o maior em África no sector privado, e reposicionando o País como um actor estratégico no mercado global de gás natural liquefeito (GNL).
A TotalEnergies deverá anunciar oficialmente, já na próxima semana, o levantamento da declaração de força maior sobre o projecto Mozambique LNG. O Governo de Moçambique estará a preparar-se para formalizar a retoma, após quase quatro anos de suspensão motivada pela instabilidade em Cabo Delgado. Já o presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, deverá, também por isso, regressar a Maputo nos próximos dias, de acordo com o francês Le Monde.
De acordo com fontes da empresa, os preparativos encontram-se numa fase final, com os trabalhos de engenharia no local praticamente concluídos e as medidas de segurança significativamente reforçadas. O director-geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, tem confirmado em várias declarações ao longo dos últimos meses que estão a ser ultimados os detalhes operacionais internos para o reinício das actividades, acrescentando que o levantamento formal da força maior é iminente, dependendo apenas da aprovação governamental que, agora, aparentemente, estará a dias de se concretizar.
A suspensão foi decretada em 2021, na sequência dos ataques insurgentes em Palma, a poucos quilómetros do estaleiro de Afungi. Desde então, milhares de trabalhadores foram desmobilizados, contratos congelados e o avanço do projecto ficou dependente da estabilização da província. O anúncio de retoma surge agora depois de meses de negociações entre a petrolífera francesa, o Governo de Moçambique e financiadores internacionais, e assenta nos progressos registados em matéria de segurança com o apoio das forças de defesa nacionais, da SADC e do Ruanda.
Consórcio e impacto económico
Liderado pela TotalEnergies (26,5%), o consórcio inclui a japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a tailandesa PTTEP, a Bharat Petroleum, a Oil India e a moçambicana ENH. O projecto prevê a exploração de dois campos offshore e a construção de uma planta de liquefacção com capacidade anual de 13,1 milhões de toneladas de GNL.
Estima-se que, no pico da produção, o Mozambique LNG possa gerar receitas fiscais superiores a 2,5 mil milhões de dólares por ano, além de criar milhares de empregos directos e indirectos e impulsionar cadeias de fornecimento locais.
Financiamento e contratos
Com o levantamento da força maior, reabre-se igualmente o acesso a linhas de crédito internacionais e project finance associados ao empreendimento, considerados vitais para sustentar a dimensão do investimento. Entre os próximos passos destacam-se a reactivação dos contratos com os principais empreiteiros – Technip Energies e JGC Holdings – e a calendarização da mobilização em Afungi.
A retoma do Mozambique LNG reforça a posição do País num momento em que a procura global por gás natural se mantém elevada, numa transição energética que reposiciona os fornecedores no mercado mundial. Com a produção já em curso da Coral Sul FLNG (ENI) e a preparação da Coral Norte, Moçambique consolida-se como futuro grande exportador de GNL, ao lado de gigantes como o Qatar e os Estados Unidos.
Para o Governo moçambicano, esta decisão envia ainda um sinal de confiança aos mercados internacionais, reforçando a estabilidade e a resiliência do País, ao mesmo tempo que garante um impulso determinante para o crescimento económico, a diversificação de receitas e a consolidação do conteúdo local.



























































