O director executivo da MozParks, Onório Manuel, defendeu, durante a 10.ª edição da Mozambique Gas & Energy Summit & Exhibition, que o debate sobre conteúdo local precisa de ser mais pragmático e inclusivo. Na sua intervenção, sublinhou que não deve importar apenas a origem do capital das empresas, mas sobretudo o facto de estas estarem instaladas e a produzir em território moçambicano.
“Para nós, o mais importante é garantir que os componentes e serviços necessários aos grandes projectos sejam fabricados em Moçambique. Se forem empresas nacionais, melhor; mas, mesmo que sejam estrangeiras, desde que aqui localizadas, estão a gerar empregos e a criar valor na economia”, afirmou Onório Manuel durante a sua intervenção no painel “O papel dos parques industriais na industrialização verde e no desenvolvimento”
Onório Manuel lembrou que a MozParks já opera três parques industriais no País — em Maputo, Boane e Nacala — que acolhem mais de 70 empresas de 20 países e empregam cerca de 10 mil pessoas.
Entre as actividades desenvolvidas encontram-se metalurgia, cablagem, produção de alumínio, data centers e até unidades de transformação de fibras capilares, exemplos que, segundo o gestor, demonstram o potencial de diversificação industrial.
O responsável defendeu ainda que grandes projectos de gás e mineração devem estar ligados directamente a parques industriais para consolidar cadeias de fornecimento locais.
“Se continuarmos a importar todos os componentes, o impacto dos megaprojectos será reduzido. É nos parques industriais que se gera emprego e se cria valor acrescentado para Moçambique”, acrescentou.
Onório Manuel revelou que a MozParks já submeteu ao Governo a proposta de expansão para 20 parques industriais em todo o território nacional, salientando que tal modelo facilitaria a logística, reduziria custos de infraestrutura e permitiria maior integração entre empresas fornecedoras e megaprojectos.
Na sua intervenção, destacou também que o investimento em parques industriais é uma oportunidade para transformar o sector extractivo num motor de industrialização, assegurando sustentabilidade e benefícios reais para as comunidades.
A 10.ª edição da Cimeira & Exposição de Gás & Energia de Moçambique decorre entre os dias 22 e 24 de Setembro, na cidade de Maputo, reunindo os principais actores do sector energético nacional e internacional.
O evento, organizado em parceria com o Governo de Moçambique, posiciona-se como a principal plataforma de debate e cooperação sobre o futuro energético do país, com enfoque na industrialização, transição energética e desenvolvimento local.
Ao longo de três dias, líderes governamentais, executivos de topo, reguladores, operadores e especialistas partilham perspectivas em torno de temas-chave como o gás natural liquefeito (GNL), energias renováveis, financiamento de projectos, conteúdo local e políticas de transição energética.
A cimeira inclui painéis de alto nível, seminários técnicos, sessões de networking e uma exposição empresarial, promovendo oportunidades concretas de investimento e reforçando o papel de Moçambique como actor estratégico no panorama energético regional e global.





















































