O Banco de Moçambique (BdM) anunciou nesta segunda-feira, 22 de Setembro, que as receitas de exportação de alumínio quase duplicaram no primeiro trimestre, para 380,7 milhões de dólares.
De acordo com a Lusa, a informação consta de um relatório do BdM que detalha as exportações de alumínio – totalmente dependente da actividade da Mozal, maior indústria do País e cuja continuidade é incerta – de Janeiro a Março deste ano.
“As exportações de alumínio cresceram de 202,2 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2024 para 380,7 milhões de dólares no mesmo período de 2025”, aponta o documento, destacando que “a melhoria nas receitas de alumínio deveu-se tanto ao aumento do volume exportado (45%).”
Num total de 440,1 milhões de dólares exportados pela indústria transformadora no primeiro trimestre, mais de 85% corresponderam a barras de alumínio, actividade garantida pela Mozal que, alegando problemas no fornecimento de electricidade à unidade em Maputo, anunciou recentemente a possibilidade de encerrar em 2026.
“O Governo está e vai continuar naturalmente, primeiro, a acarinhar a Mozal e, segundo, vai continuar a negociar para melhorar os termos de negociação e garantir que ela se mantenha a produzir em Moçambique, com todas as facilidades precisas, mas que não haja nenhum prejuízo a nenhuma das partes”, afirmou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, após a reunião do órgão em Maputo, em 26 de Agosto.
Segundo o responsável, o Governo está num “ambiente de conversa muito mais amigável” com todas as partes envolvidas no processo, entre as quais a Mozal, Hidroeléctrica de Moçambique (HCB) e a sul-africana Eskom, visando que os interesses de todos sejam “legalmente protegidos e justos”.
Impissa avançou que o Executivo está informado e conhece o “conjunto de riscos” associados à crise na maior indústria moçambicana e está a par da rescisão de contratos de algumas empresas fornecedoras, por parte da Mozal, mas esclarece que a situação não tem a ver com as negociações em curso.
A Mozal, que tem cerca de cinco mil trabalhadores na segunda maior fundição de alumínio em África, nos arredores de Maputo, anunciou em Agosto que pretende cortar no investimento e dispensar empreiteiros contratados, mantendo apenas a operação até Março de 2026, quando termina o contrato de fornecimento de electricidade, alegando não ter condições de continuidade.
Numa informação ao mercado, o grupo australiano South32, que lidera a unidade, afirmou que tem dialogado com o Governo, a HCB e a sul-africana Eskom “para garantir o fornecimento de electricidade suficiente e acessível” para “permitir operar para além de Março de 2026, quando o actual contrato [de fornecimento de energia] expira”.
“Esta declaração [da possibilidade da Mozal encerrar em 2026] foi seguida da rescisão súbita de contratos com cerca de 20 empresas moçambicanas fornecedoras da Mozal, afectando directamente cerca de mil postos de trabalho e colocando em risco a continuidade de empresas com décadas de colaboração ininterrupta com a fundição”, declarou em Agosto passado, Álvaro Massingue, presidente da Confederação as Associações Económicas (CTA).
O Governo anunciou em Fevereiro que pretende repatriar a partir de 2030, para uso doméstico, a electricidade que exporta da HCB para a África do Sul desde 1979, conforme consta da Estratégia para Transição Energética em Moçambique até 2050
A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique e tem um peso estimado de pelo menos 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em 18 de Agosto, o Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que as tarifas de energia propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB, reagindo à ameaça de encerramento da unidade de fundição de alumínio em 2026.
O fornecimento de electricidade à Mozal é feito através da sul-africana Eskom, que por sua vez compra energia à HCB – 66% do total produzida em 2024 -, que funciona no Centro do País, mas o Governo pretende reverter este cenário.























































