A rede ferroviária sul da empresa estatal Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) acumulou este ano prejuízos de 2 milhões de dólares (126,4 milhões de meticais) devido a roubos e vandalizações de infra-estruturas. O anúncio foi feito à margem do Fórum de Prevenção e Combate à Vandalização de Infra-estruturas Públicas.
“Estamos a olhar apenas para o material retirado, mas o valor que acabamos por gastar devido às paralisações de comboios e aos descarrilamentos provocados por estas situações pode chegar a cerca de 2 milhões de dólares”, afirmou Arnaldo Manjate, director de operações ferroviárias dos CFM-sul.
Segundo Arnaldo Manjate, só este ano, os equipamentos e aparelhos da linha férrea roubados ou vandalizados, incluindo sistemas de mudança de via, custaram à empresa 78,2 mil dólares (5 milhões de meticais). Parte dos danos resultou do arremesso de pedras contra locomotivas.
O responsável explicou que a região sul dos CFM tem sofrido também com o roubo de carris, travessas metálicas e outros materiais, que são depois vendidos a sucateiras. Estes furtos provocam descarrilamentos e obrigam à reposição das infra-estruturas danificadas.
“Nós temos sofrido bastante nas nossas linhas férreas, porque há muitos roubos, principalmente de elementos de fixação para venda na sucata. Isso tem impacto negativo, pois logo de seguida ocorrem descarrilamentos e somos obrigados a repor as infra-estruturas nos pontos afectados”, disse Arnaldo Manjate.
A rede ferroviária moçambicana divide-se em três zonas – sul, centro e norte – que não estão directamente ligadas entre si, mas conectam o País a vizinhos como África do Sul, Essuatíni e Zimbabué, reforçando a importância estratégica da manutenção das linhas.
Em 2024, os comboios dos CFM transportaram 6,8 milhões de passageiros no sistema centro e sul, quase meio milhão acima do previsto e 3% mais do que em 2023, segundo dados oficiais citados pela Lusa. Os resultados operacionais subiram 55%, para quase 41,1 milhões de dólares (2,5 mil milhões de meticais), com mais de 7 milhões de passageiros transportados.
O Governo moçambicano anunciou que pretende investir quase 225 milhões de dólares (12 mil milhões de meticais) até 2030 na duplicação de linhas ferroviárias, na aquisição de carruagens, locomotivas e vagões. O plano inclui concluir a duplicação de 25 quilómetros da linha Ressano Garcia, comprar mais de 30 carruagens e 15 locomotivas, e adquirir 250 vagões para transporte de minerais e passageiros.




























































